No admirável mundo novo o salário é o gargalo

Mas, a garrafa é comprida, bojuda e de casco fino.


Um gerente de supermercado de Santa Maria, em uma conversa informal com o editor do Frontdesk, reclamou que as pessoas não querem trabalhar.

  • Tenho vagas para caixa, balconista de padaria, repositor e auxiliar de limpeza.



Na minha concepção, a única função degradante nessa lista é “auxiliar de limpeza”. Porque ele não se chama “Limpador”?


Ao perguntar por onde andavam os salários, ele descreveu uma lista e benefícios digna de um nobre da Suécia:


  • Alem do salário base da categoria, todos ganham vale-rancho, vale transporte, 13º, férias, fundo de garantia e horas extras com 50% além de uma folga por semana.


Mas, isso não é vantagem, são penduricalhos que a lei já obriga a empresa a cumprir!


  • Os que não aceitam essas condições vão para o Bolsa-Família?
  • Não. Eles preferem trabalhar de byke, motos e carros, em aplicativos.


Isso desvenda o “mistério” (nem tanto) das lojas abandonadas nas principais ruas comerciais das grandes cidades. Elas se mudaram para a nuvem e seus balconistas continuam fazendo a mesma coisa, entregando as compras para o cliente, com uma evolução, do balcão da loja de rua para a soleira da porta.


O outro “mistério” (também nem tanto) representado pela escassez da mão-de-obra operária, se desvela com a profusão de veículos de 2 ou 4 rodas infernizando o silêncio de todos os lugares onde mora gente.


Nas “pontas” ainda tem que ter gente operando, pelo menos até o momento em que os robôs que já fazem boa parte dos serviços nos Centros de Distribuição passarem para o selim das bikes e os VANTs (drones) passarem a circular com eficiência acima dos fios e das copas das árvores. 


Brainstorm:

Um exemplo de substituição do trabalho humano está bem expresso na hotelaria:


Em 40 anos, a redução foi grande e, aparentemente, pouco percebida, assim como o foi em todas as substituições de gente por máquinas ao longo da história.


Em 1.986, na hotelaria do Brasil, a métrica empírica mostrava que, em hotel de luxo, cada quarto do hotel significava 2 empregos diretos. Em um 3 estrelas, cada quarto empregava 1 humano. Em 2006, vinte anos depois, cada ser humano operava o equivalente a 3 quartos no padrão turístico ou executivo. Em 2026, esse número subiu para 5 e…


Porque isso aconteceu?

A automação:

Centrais Telefônicas de Programa Armazenado

Microcomputadores 

Programas Proprietários 

Internet

Microondas 

Airfryer

Cooktops

Biobac


Inteligência Aumentada:

Em 3 passos a humanidade chegou na borda do universo: 


Passo 1: Mecanização 

Onde o humano terceirizou a sua força 


No pós segunda grande guerra, o maior desafio da humanidade foi alimentar a reposição de pessoas pelo baby boom. Os químicos criaram as técnicas que deram o Nobel Prize para Norman Bourlag e os mecânicos sobreviventes do paperclip criaram a roçadeira, a plantadora e a colheitadeira. A produção disparou e uma multidão de campesinos se deslocaram em um Êxodo Rural que favelizou as grandes cidades.


Passo 2: Automação 

Onde o ser humano terceirizou a sua memória. 


Quando os braços robóticos foram implantados na indústria de massa, 1 em cada 33 trabalhadores que operavam as máquinas e ferramentas manuais, continuaram trabalhando, por terem se qualificado ou por aceitarem ser rebaixado para a limpeza do chão da fábrica. Os outros 32 foram para casa com uma mão na frente e outra atrás, mais favela e mais carência. A sorte foi que a automação esvaziou a fábrica mas engordou os cofres, tanto da empresa como do governo e esse criou uma miríade de “programas sociais”, para ajudar a aliviar “a dor da automação”.


Passo 3: Inteligentização

Quando o ser humano terceirizou a sua inteligência


A desinteligencização do ser humano deu-se quando programas de computador em forma de sequências numéricas (por isso as apelidamos de agoirado)  levam o conteúdo do computador de base carbono para computadores de base silício: os datacenters 


A chave da IA – inteligência Aumentada – é o Datacenter.


Ao criar datacenters onde se pode armazenar todo o conhecimento humano, com segurança para preservar e rapidez para acessar, os humanos não perceberam ainda que sua massa cinzenta do cérebro tornou-se irrelevante e quiçá, desnecessária, inútil, descartável.


Esquentando:

“Muito consumo de energia gera calor e dá sede na máquina”



Mão-de-Obra?

Na atual circunstância, com a entrada dos robôs articulados moventes e programas de IA. Em alguns anos (poucos, muito poucos), a produtividade na hotelaria vai dar mais um salto, com os números das ocupações pulando para 1/4 do que é hoje, ou seja: um robô sozinho fará o Room Service de 9 garçons. Os Concierge serão lindos robôs vertidos como mascotes e a camareira pilotará uma dúzia de máquinas que vão limpar janela, limpar corredor, arrumar cama e higienizar banheiros, e ainda vai conferir o perfume e mandar o filme para a IAGOV ver se está ok.


Cabeça de obra

Por isso, até que venha o dilúvio, os governos e os movimentos sociais reduzirão a jornada de trabalho que um dia já foi de sol-a-sol, para 5 horas por dia, 5×2 por semana. Menos horas e menos dias, ganhando o mesmo, afinal, a economia gerada pelas máquinas inteligentes se transformou em lucro. E quem estiver ainda a bordo, não fará trabalho braçal e sim cerebral, pois tiveram que aprender a programar essas traquitana e para isso, foram qualificados pelo algoritmo, que agora é o chefe.


Essa será a turma da próxima ARCA DE NOÉ.


O mundo será o mesmo e haverá, inclusive, pessoas que não perceberão o que aconteceu e vai se refugiar na religião, nas drogas ou no banditismo.


Aí, virá o dilúvio provocado pela IA, que vai mandar água do céu e fogo do sol.

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