Como foi 2025?
O Ministério do Turismo é uma atitude politica do governo e ele esta dessincronizado com o mercado, que não o entende e não consegue se fazer entender. Enquanto isso, a EMBRATUR, um órgão técnico, conquistou uma marca histórica: captou 9 milhões de turistas estrangeiros que contribuíram com mais de 15 bilhões de dólares, o equivalente ao mesmo que as exportadoras anuais de café.
O governo voltou a cometer o erro de regular o que não entende, ouvindo lideranças que acham que entende: afinal, tentar sacramentar a unidade de medida do produto vendido por um hotel como “DIÁRIA” foi um tiro no pé. Os hotéis entenderam que podem vender 21 horas e os clientes acham que podem encrencar por 24. A Hotelaria no mundo inteiro vende “PERNOITE” ou “ROOM NIGHT”, aqui não. E, ao que parece, nem sabe quantas horas tem um dia..
Para a regulamentação das plataformas que vendem UHD, nem um pio ou uma vírgula.
Mais uma vez, a falta de liderança da hotelaria jogou-a na vala onde jaz os cadáveres da idiotice.
2025 foi ano de muita movimentação, afinal a hotelaria está se aproximando da ocupação de 2014 e da ADR de 2013 (contem ironia).
Como será 2026?
Esse deverá ser um período onde haverá dois grandes eventos: a Copa do Mundo na América do Norte e eleições no Brasil. Esses acontecimentos não afetam o movimento, mas, mexem com os ânimos. Se o técnico da seleção fizer milagre, em 7 dias de junho e julho poderá haver alguma abstinência laboral com alguma festa e entre agosto e outubro a polarização promoverá um espetáculo de horror. Pelas experiências anteriores, como em 2018 e 2022, o movimento da hotelaria não será afetado de forma profunda por esses acontecimentos, pois, máquinas, minérios, bichos e grãos não votam nem espalham noticia ruim.
4 Tendencias:
- Relações de trabalho
- Distribuição
- Atendimento
- Hospitalidade
Estas estarão em movimento, seja na superfície visível a todos os olhos comuns ou nas entranhas do negócio, sendo visto apenas por quem está mergulhado na ciência da hospitalidade.
Relações de Trabalho
O que se detecta é que continuará a “grande marcha” para a desregulação total de um regime trabalhista inventado pela “carta del lavoro” de Benito Mussolini de 1927. A CLT foi a proposta fascista onde o estado tudo pode, a empresa é mãe e pai do trabalhador, que viverá sob um regime parecido com o aplicado na construção do templo de Salomão ha 5000 anos no passado. Resultado: a pejotização e a informalidade parcial ou total será a tônica.
A redução da jornada de trabalho deverá avisar aos interessados que não há mais operários e que os robôs, sejam de software ou de hardware, já têm mais de 50 anos de experiência para fazer o trabalho pesado, repetitivo e insalubre. Aos humanos caberá a cortesia e o pensamento.
Distribuição
Canais de vendas serão sempre muito importantes. Todos os hóspedes serão nômades digitais e sua captação e sua retenção será cada vez mais fácil de atrair e também muito fácil de perder. Caso não se mude as forma de vender aproveitando a variante AIDA (Acesso, Interesse, Desejo e Aquisição), um hóspede poderá ser captado e perdido enquanto ele trafega da sua origem até o destino, pois ele estará conectado e pode ser bombardeado por marketing inteligente a todo momento.
Atendimento
Duas características poderão fazer a hotelaria continuar nos tempos do neolítico: ela continuará com os mesmos padrões de atendimento no fatídico estilo religioso/militar, herdado das guerras. Quem conseguir criar formas amigáveis de atendimento fará a diferença. O fim da frieza: a sensibilidade do terceiro milênio fará com que os sorrisos deixem de ser protocolares e os gestos desrobotizados, senão, os hóspedes vão continuar migrando para as UHD (Unidades Habitacionais Distribuídas) pensando em pagar menos e viver novas experiencias. Enquanto isso, os algoritmos das plataformas serão cada vez mais agressivos.
Hospitalidade
A realidade atual mostra que nos principais pólos turísticos do país as ACT (Atividades Características do Turismo) foram substituídas pelas EBI (Empresas de Base Imobiliária) e isso fez com que os turistas não sejam mais tratados como hóspedes e sim como compradores. Os recepcionistas foram substituídos por corretores de imóveis e as cotas passaram a substituir o pernoite como unidade de venda.
Em 2026 a hotelaria poderá reagir ou aceitar.
O movimento da hotelaria está muito ligado à atividade econômica do país: a unidade mais confiável é o PIB e a taxa de emprego. Caso estes dois indicadores se comportem, a hotelaria terá bom movimento e poderá se equipar para os novos tempos, onde foi pouco percebido que o nível dos hóspedes subiu 3 pontos da régua e a hotelaria, por razões ainda não apuradas, não acompanhou e terá que acelerar a marcha para tirar a diferença.
O país bateu um recorde de entradas internacionais e o turismo interno foi vigoroso em termos de preço e movimento. Agora, será um desafio manter os mesmos patamares de ocupação, rentabilidade e isso vai demandar novos materiais, novas formas de treinar, vender e conquistar clientes. É urgente renovar o equipamento, como colchão, geladeiras, fechaduras, climatizadores, para atender as novas exigências do publico que, ao aceitar pagar mais, também quer receber mais qualidade de bens e serviços. Da mesma forma é urgentíssimo qualificar o material humano para operar os gadgets tecnológicos e se enquadrar nas exigências de um publico conectado, informado e em busca de encantamento.
Uma análise apurada destas tendências no terriços da cultura gaucha, onde deverá aparecer números e sinais de direções para o futuro, vai aparecer no estudo “Panorama da Hotelaria Gaucha 2026″, que estará no ar a partir e 20 de janeiro.

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