A expectativa
Afirmar que 2025 será melhor que 2024 é uma redundância de pouco sentido, uma vez que 2024 será mais um ano deste lustro para ser desconsiderado (mas, não esquecido), pois, 2020 e 2021 foram perdidos para o vírus e o outro para a água.
Neste ano, os vôos, que ainda patinam em 70% dos pousos e decolagens comparados com os anos de 2019 e 2023, poderão voltar ao normal, as empresas aéreas prometem vôos diretos para os mesmos destinos onde já operaram até o primeiro trimestre de 2020. A TAP promete a retomada dos vôos para a Europa no primeiro semestre e Aerolineas Argentinas prometem operações plenas para Buenos Aires partir de Porto Alegre ainda no segundo trimestre.
Nas estradas, boa parte dos desvios causados por causa das quedas de pontes deverão ser restabelecidos e as linhas regulares de ônibus de longo curso (distâncias maiores de 4 horas de viagem) terão um grande incremento, não por causa de condições climáticas ou de terreno e sim, por causa dos valores praticados pelo setor aéreo. Mesmo assim, o impacto destas viagens terrestres é pequeno: a viagem por terra tem tempo de deslocamento 5 vezes menos rápida que por ar e a quantidade de passageiros transportada por um ônibus, é 5 vezes menor que a de um avião médio.
Todas as Atividades Características do Turismo, voltaram a operar em plena carga em termos de oferta e ainda com metade da demanda. Isso poderá afetar os indicadores, mostrando que a recuperação será um pouco menos rápida que o esperado.
Neste ano devem ocorrer a abertura de novos hotéis em Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria, Pelotas, Gramado, Canela, Ijuí, Uruguaiana, Santa Cruz do Sul e Santo Ângelo. Estas aberturas obedecem cronogramas de obras de longo prazo e, mesmo afetadas pelas catástrofes sanitária e climática, estão se materializando.
TENDÊNCIAS:
A hotelaria de 2025
Os sinais de que o ano de 2025 vai ser excitante reside em algumas ocorrências. Para a hotelaria elas se interligam e prometem mover o quadro de decisões com certa dinâmica, que apeará alguns indivíduos de suas trincheiras.
Tudo isso por causa das tendências em 6 sentenças:
- TI
- IA
- Robôs
- Modelagem de Negócio
- Associativismo
- Globalização:
Tecnologia da Informação
TI caiu um pouco da boca do povo, mas continua sendo uma das boas e eficientes chocadeiras de Executivos com muita informação e muita rapidez de decisão. E isso encanta investidores. Dentro da área de tecnologia, a onda do momento são IA e Robotização. Mesmo assim, em função da infraestrutura exigida, da IoT (internet das Coisas) e da colossal massa de dados exigida para a gestão eficiente, a TI continuará exigindo as melhores cabeças para operar com eficácia. A sutil entrada em cena no mercado hoteleiro e de entretenimento de empresas com Infraspeak, Igoal, Elitech, Johnson Controls, entre outras, está inundando o ambiente da cadeia do acolhimento com máquinas invisíveis aos olhos e que estarão trabalhando, substituindo pessoas e encurtando caminhos de processos, desde a conservação do patrimônio, a segurança, até a venda remota de tickets.
Robotização
Robôs foram a primeira fase da IA, (desenvolvidos pelos japoneses para a indústria, gerou um desemprego brutal em algumas indústrias, como a de máquinas e fez desaparecer a figura do “operário”). Agora, na hotelaria, eles, os robôs, também estão chegando na “operação” para realizar trabalhos cartesianos, que exijam mais precisão menos habilidades.
Neste setor, de cada 100 humanos, pelo menos 20 terão que descobrir outras habilidades.
As fabricantes de robôs para a hotelaria estão oferecendo no mercado, máquinas a partir de R$ 110 mil, o que equivale a um funcionário bem pago por 2 anos, sem férias, sem FGTS, INSS, dor de barriga, reclamação ou fofoca. É cruel pensar assim? Mas, foi assim que, há mais de 30 anos, eles substituíram os humanos nas linhas de montagem dos automóveis, nas mineradoras e até nas ações policiais.
Inteligência Artificial
A EBH – Escola Básica de Hospitalidade – define como “Inteligência Aumentada”, a catalogação de todas as informações geradas por humanos ao longo de períodos definidos e acessados por velocidades quânticas dentro do BIGDATA, por saber que a definição de artificial não se coaduna com a realidade e com a verdade da ciência.
De repente, o oba-oba das IAs americanas que bombavam e faziam bilhões de dólares circular por poucas mãos, prometiam fazendas de servidores quânticos de dar inveja a Yellowstone, teve aquele tipo de desfecho que acontece quando alguém conta o final do filme: a China trouxe um algoritmo em servidores Von Newmann que faz a mesma coisa que os monstrengos circulares verticais comedores de eletricidade. Deu um Track na Nasdac e em um dia a ação mais valiosa do mundo perdeu tanto valor que equivaleria a 10 vezes o prejuízo do Crack da Bolsa de Nova Iorque de 1929.
Mas a IA, não morreu. Apenas está se reorganizando. Claro que no mundo da tecnologia, sempre a primeira versão não é a definitiva, e as substituições as atualizações e os upgrades ocorrem em velocidades estonteantes.
Na hotelaria, a Inteligência Aumentada chegou aos “serviços”, em forma de programas de respostas rápidas e vão substituir funções humanas repetitivos e que exijam precisão e rapidez.
Metade das funções de escritórios será realizada por IA e isso desempregará 27 em cada 100 pessoas. E isso é para já.
Essa IA confunde a fronteira entre a engenharia e a tecnologia, uma vez que a primeira é o exercício do pensamento (ou o uso do “gênio” para projetar) e a segunda é o exercício do fazer “(ou uso das mãos ou “tenazes” para produzir).
Modelagem do Negócio
Os negócios são constituídos, desenvolvidos e geridos por uma ciência e o faz em cima de conceitos e tecnologia de gestão. A hotelaria por ser uma atividade multimilenar, que teve início na era do gelo (humanos alugavam cavernas temporárias para viajantes se abrigar do frio 88 mil anos antes do tempo presente), passou pela criação dos animais consumíveis, esteve presente na formação de impérios e foi fundamental no desenvolvimento da Rota da Seda, o primeiro grande negócio que fez a humanidade se espalhar por toda a terra. Até chegar no conceito de Hospitalidade Olímpico, a hotelaria esteve sempre controlada por alguma instância do poder constituído, desde a Grécia quando os exércitos administravam a hospedagem de viajantes, até a idade média quando a igreja assumiu a função de hospedar em seus mosteiros, até o modelo britânico de tabernas, a hotelaria tornou-se atividade atraente para o mercado na Revolução Industrial. Com o surgimento do “tempo livre”, fazer “viagens de ida e volta” tornou-se possível aproveitando o surgimento das modalidades de transporte rápido: O Trem e o Barco a Vapor! Neste período a hotelaria tornou-se propriedade dos “senhores do dinheiro” que controlavam os negócios, os empreendedores da Construção Civil, do Comercio e da Agricultura e não mais de “senhores do poder”, que controlavam os estados. O século 20 não representou apenas a queda de todos os impérios nas suas primeiras duas décadas: representou também a transformação da hotelaria mudando o vetor de sua importância, de valor de propriedade, para valor do serviço que ela prestava. Foi a confrontação do “Tijolo versus o Pernoite”. Os serviços passaram a ser valorizados pelos seus padrões de qualidade e não apenas pela sua serventia. No final do século 20, financiamento da construção de hotéis tornou-se uma operação imobiliária e sua pulverização em unidades habitacionais fez uma revolução no mercado e destruiu barreiras que poderiam parecer intransponíveis, porém, isso ocorreu sem dor, pelo esgotamento do modelo antigo.
Modelo de Propriedade
A definição da propriedade teve uma leve injeção de contraste colorido e mostrou por dentro que ela estava com alguns problemas, tanto de circulação como de processamento do alimento vital para o corpo. Ganhou poder de decisão as definições de “Serviço” e perdeu poder as definições de “Patrimônio”. Na hotelaria isso significa o dilema entre o pernoite e o tijolo. Como o pernoite gera caixa e o tijolo gera despesa, o caminho mais curto para a realização de resultado tem sido o do fatiamento dos tijolos e a concentração dos pernoites. Está se avizinhando uma nova era, com os próximos investimentos, onde não se verá ocorrências significativas de construção de hotéis de forma individual, se concentrando os novos investimentos em Condo-Hotel e Multi-Propriedade.
Modelo Fracionado
Do prédio inteiro até 1/50 avos de uma operação hoteleira, o segmento hoteleiro sinaliza que pode estar entrando para o mercado de ações, quando o patrimônio será totalmente de “papel”, negociado em corretoras de valores e não apenas nas imobiliárias. Será a vez das debêntures em lugar das escrituras. Se antes o investidor comprava “tijolo”, agora, ele passou a comprar “tempo”. Alem disso, o modelo fracionado permitirá a construção dos cassinos, que exige a construção de grandes instalações e elas virão através de investimentos pulverizados, auto financiados, pelo menos até certo ponto. Os cassinos serão a coqueluche de 2025.
Modelo de Operação:
A quantidade de hotéis existentes em oferta nas imobiliárias para venda e aluguel (o que chegar primeiro), mostra que o mercado de operadoras hoteleiras vai realizar a última etapa do “salto triplo”. Os proprietários estão se recolhendo e seus hotéis estão se tornando ofertas no mercado global,, nas mãos de profissionais que representam marcas globais. É o poder das marcas.
Associativismo:
Por essas tendências, será um baque no associativismo, quando continuará rareando a figura do “proprietário” oriundo das atividades do agronegócio, do comércio e da construção civil, que até recentemente investiam em construção de hotéis em busca de salvaguardar patrimônio e gerar despesa fiscal. Agora a hotelaria profissionalizou-se e ser hoteleiro (hoteleiro é “proprietário de hotel”, como banqueiro é “proprietário de banco”) não será glamour ou complemento daqueles três setores e sim uma vertente do mercado imobiliário. Essa tendência criou várias novas profissões, desde o gestor de ativos do tipo Yeld Management, até o captador de investidores para fazer ombro com corretores de imóveis, que agora, não vendem mais terras e tijolos e sim, sonhos em forma de frações escrituradas, férias em tempo compartilhado, o indefectível timeshare.
A hotelaria tem um repertório histórico de reclamações de concorrências oportunistas que invade seu nicho de mercado, mesmo que a hotelaria nunca chegou a metade do índice de ocupação do lugar preferido e usado por pessoas que dormem fora de casa e da cidade onde vive, a hotelaria dos últimos 50 anos se viu acossada por varias variáveis, como o aluguel de temporada, a hotelaria distribuída e a tecnologia substituindo o ato de vender.
As atuais associações do “guarda-chuva” do turismo, tendem a perder espaço, as novas atividades serão reagrupadas de forma natural, desaparecendo as associações de proprietários e surgindo as associações de profissionais ou de empresas por atividade praticada.
Globalização:
A hotelaria foi a última fronteira da globalização do Brasil, fomentada pelo processo de privatização de ativos e concessão de serviços públicos promovida pelo governo FHC, no período de 1994 a 1999. Chegaram ao Brasil uma infinidade de marcas, os telefones ganharam opções de operadores, de máquinas e de aparelhos. Meios de como viajava a informação, saíram dos fios de cobre e entraram os cabinhos de vidro. A energia ganhou nomes diferentes nas contas e as estradas viram-se picotadas de pedágios que foram comparados com os “mata-burros” do tempo das tropas.
E a hotelaria, que convivia com muito poucas marcas globais, se viu infestada com quase todas as grandes marcas do mundo. As marcas mudaram o modelo da hotelaria, mas não foi só isso: elas influenciaram no modelo da propriedade, priorizando a pulverização da propriedade e a concentração da operação. Esse “operador de flat”, que não conseguiu conviver com os atávicos hoteleiros advindos daqueles três setores da economia onde sobrava dinheiro, não conseguiu conviver de forma harmoniosa e se organizou de seu jeito e modo.
Naquele período dos anos 1990, quando ocorreram super investimentos em flats, foi o paraíso na terra dos corretores de imóveis. E o inferno na vida dos proprietários, que viram seus hóspedes e seus empregados migrarem de modelo e de endereço. Para os hóspedes, foi um prêmio, pois, ganharam equipamentos novos pelo mesmo preço dos… “não-novos”. Isso enfraqueceu o associativismo patronal e reforçou o sindicalismo laboral. Mesmo com as canetadas dos governos tentando eliminar a classe trabalhadora do cenário associativista, aparentemente não ocorreram resultados favoráveis ao coronelato da hotelaria.
HOTELARIA GAÚCHA
Profissionalização
20 cidades gaúchas já receberam marcas internacionais e 35 delas ostentam marcas nacionais. Em 2025 estas marcas assumirão a maioria dos quartos de nível mais alto no estado, marcando uma virada. A hotelaria gaúcha estará profissionalizada e globalizada, em uma tendência que levou 25 anos para se consolidar, desde a primeira marca internacional aportar na capital do estado. A marca Sheraton desapareceu e atualmente o imponente edifício do barro Minhas de Vento, ostenta a bandeira Hilton.
O fato constatado em 2025: a hotelaria das principais cidades do país estarão sob gestão de marcas operadoras de todos os matizes, significando operados pelo “não-dono”, mostra que a hotelaria tradicional está respirando por aparelhos. Ela se rendeu ao Imperio das Marcas.
Ameaças
Para a hotelaria tradicional, aquela representada por construtores, comerciantes e agricultores, foi um desastre o surgimento dos flats, mas, o reinado destes não durou uma geração e já foram abertas duas novas frentes de combate, quase simultaneamente: o erroneamente denominado em português “aluguel de temporada” automatizado e os fracionados. Mais gritaria.
Em 2007 nos USA nasceu o AirBnB e em pouco tempo deu tantos filhotes que pareciam suricatos surgindo em cada moita da ilha. Mas, o AirBnB e seus filhotes não são os responsáveis pelo “aluguel de temporada” e sim por sua automatização.
Enforcamentos
O Aluguel de Temporada vem desde tempos pérsicos. Desde a antiguidade. Muito antes de existir esse modelo grego de hotelaria. Até hoje, nas praias e estações de inverno, tanto no Brasil como no mundo, desde as montanhas geladas da Argentina até as praias ensolaradas da Turquia, sempre se alugou moradias para temporadas para férias. As primeiras referências a aluguel de temporada vem de narração de que moradores ao redor das praças onde as autoridades enforcavam os condenados, alugavam os quartos que tinham janelas viradas para fora, para que nobres assistissem aos atos perpetrados pelos poderosos, num tempo em que a vida valia menos que hoje.
Testemunha ocular
Em 1977, no litoral de Santa Catarina, assisti uma cena impressionante: um Gordini estacionado na entrada de Balneário Camboriú oferecia hospedagem “quase na areia”, por um preço menor que metade da diária do hotel, quando chegou a polícia acompanhada pelo dono do hotel mais luxuoso da cidade e deu uma camassada de pau no vendedor clandestino. (Naquele tempo podia bater…) Depois disso, já no correr da década passada, assisti uma hoteleira de Torres, na Costa Leste Gaúcha, entrando em surto psicótico por ver um chevete verde com uma placa no bagageiro oferecendo aluguel de apartamento em frente ao seu hotel em pleno sol de janeiro, o pico do verão gaúcho.
Reclamações Recorrentes
Da mesma forma que os Calígrafos de Urbino reclamaram da máquina tipográfica de Guttemberg, os remadores das chalupas da Ilha de Guernsey reclamaram do motor de Fulton, a Montblanc reclamou da BIC, a Matarazzo reclamou do óleo de soja, o Girz Aronson reclamou dos shopping center, os plantadores de seringais na Malásia reclamaram do Charles Goodyear, a hotelaria reclamou dos quartos com banheiro, da eletricidade no quarto, do telefone, dos cassinos, dos condomínios hoteleiros, da automatização do aluguel de temporada e dos fracionados. Mas, pelo visto, reclamar não detém a evolução da tecnologia nem dos costumes.
Em 2025, as reclamações continuarão, agora potencializadas pelo megafone das redes sociais.
As reclamações sempre foram falseantes em suas justificativas: “não pagam impostos”, “estão fora da lei”, “não protege o hóspede”, “causa desemprego”… Ora! Rapidamente se criaram leis, os governos mostraram que cobravam impostos e quanto aos empregos, os sindicatos de empregados gostaram, pois, aumentou seu universo de arrebatamento.
Nos ambientes de reclamações, tipo “RECLAME AQUI” ,”PROCOM” e nas entidades representativas do setor, o bate-boca é eterno e virou “palanque eleitoral”, as noticias fluem como se fosse o Armagedom da Hotelaria e do Turismo. Porém, as cotas de timesharing, o aluguel de temporada, os flats, as redes operadoras, os os estrangeiros, os cassinos, os tributos, o direito autoral, as cargas trabalhistas, os canais eletrônicos, os nômades digitais, os lifestyle e mais uma miríade de “problemas” que surgiram nos tempos totais da hotelaria, continuarão sendo visto exatamente dessa forma e jamais serão resolvidos, simplesmente por não serem “problemas” e, sim, processo evolutivo como o foi a forma de alumiar a terra, de preparar a comida e de se transportar,. Os humanos reclamam mais que aplaudem e isso chama-se saudosismo ou “tristeza por ter que mudar de algum jeito para se adaptar”. O “Medo da Mudança” explica.
LEGENDARY TIMES
Turistas
Turistas para os conceitos básicos aqui entendido é o ente econômico que realiza uma viagem de ida e volta de e para sua cidade de domicílio, dentro de um mesmo exercício fiscal
Escola:
Metade de tudo que um estudante de hotelaria aprendeu ha 15 anos atrás, tem pouca ou alguma utilidade hoje, a não ser, criar saudosismo e choradeira. Por isso, gerentes cada vez mais jovens, com mais escolaridade, ficarão menos tempo na mesma posição.
Carreiras:
A hospitalidade evoluiu, o servilismo já havia ido embora e como seus resquícios só ficaram os não-competentes e bajuladores e o patrão sumiu, por isso, não adianta chamar filho de dono de hotel de doutor para garantir o emprego, não porque o servilismo tenha desaparecido e sim porque o tal filho que agora é filho de um gestor que amanhã pode perder o boné se não apresentar resultado para os investidores.
Gerentes
Até um passado nada recente, os gerentes de hotel tinham status de “autoridade local” nas aldeias onde haviam hotéis de bom nível. Atualmente os jovens gerentes estão mudando a forma de bem receber, em muitos casos para melhor, trocando conceitos e quebrando paradigmas, desde o visual até o local onde trabalham dentro do prédio que ostenta aquela plaquinha simpática escrito “HOTEL”
Up-grade
Em um passado remoto, antes do telefone sem fio, um funcionário do coronelato hoteleiro tinha poucas chances de evoluir na mesma empresa e a maneira mais fácil de isso acontecer era se casar com a filha do dono (ou, mais raramente, com o filho da dona). Na atualidade, para progredir, o caminho passa por escolas de habilidades e gestão, por disciplina férrea e atualização tecnologia alucinante, mas, as chances são muito maiores porque o mercado ficou maior.
Neste ponto aparece um agravante: as chances poderão minguar, por causa da Inteligência
Aumentada, com programas rápidos e profusão de imagens, poucos gerentes poderão gerir muitas plantas ao mesmo tempo. Será o mesmo que ocorreu quando inventaram o auto-serviço nos supermercados ou quando instalaram os buffetts nos restaurantes.
Oferta
No Brasil, existe a estimativa de abrir as portas de aproximadamente 10 mil novos quartos, parte deles com “tamanho família” daqueles que cabem 5 pessoas, com a maioria localizada em pólos de negócios, mostrando que a tendência de motivações para viagens continuará sendo a mesma dos últimos 159 mil anos: fazer trocas.
Em termos de investimentos, o país Brasil deve entijolar R$ 5 bilhões em forma de novas construções (isso representa o custo de produção e não, o valor geral de vendas, que representa 4 vezes o valor da obra e do acabamento), sendo que destes, os quais foram levantados pelos canais representativos do setor, apenas 2 endereços serão propriedade dos operadores, os demais serão comercializados pela industria de base imobiliária, em forma de Cotas de Investimentos, Condo-Hotéis e Resorts Fracionados em cotas de tempo compartilhado.
Flagdance – Floating flags
Aberturas de novos hotéis não se encontram nem são sincronizadas com subidas e descidas de bandeiras, nem com movimentação da oferta. Alguns exemplos dessa superposição é quando uma administradora brasileira anuncia uma abertura com uma marca estrangeira através da conversão de um hotel já existente que não teve solução de continuidade da operação. Essas “conversões” ocorreram em aproximadamente meia centena de endereços em 2024 e as previsões é que esse numero dobre em 2025. O maior motivador dessa dança de bandeiras, está ligado a muitos fatores, entre eles os mais proeminentes são a força de vendas, o perfil da gestão, quando o operador individual e isolado envelhece e não encontra herdeiros com sua mesma aptidão. No Rio Grande do Sul isso deve ocorrer em aproximadamente 10 grandes hotéis e em mais de 50 hotéis e pousadas de pequeno porte. Há a previsão do desaparecimento de 12 hotéis existentes e o destino turístico Canela, deve dobrar sua oferta de leitos. Em outros destinos, muitas operações estão trocando de operador pela colocação da plaquinha, mas, não mexe na oferta nem na demanda e acarretará aumento no valor pago pelo cliente para remunerar a marca.
Conversão e Retrofit
No Rio Grande do Sul, Accor, Atlântica, Intercity, Laghetto e Louvre, abrirão novos hotéis em 2025, sendo que metade deles serão retrofit de hotéis existentes que foram reformados para uso das marcas e bandeiras. Neste momento em que esse texto é escrito, existe a informação não confirmada ainda, que mais de 2 dezenas de endereços de hotéis em funcionamento ou temporariamente fechados, estão sendo negociados por operadoras não-globais ou por formação de novos conglomerados locadores de prédios, que os assumem, reabrem sem reformas e os explora em um padrão mais baixo de qualidade.
Gramado – Momento Histórico
A cidade de Gramado resistia a entrada de marcas estrangeiras na hotelaria e em seu histórico, mesmo as marcas nacionais “bateram cabeça” e não tiveram sucesso. Nos últimos 25 anos já passaram algumas marcas globais e brasileiras, que não emplacaram. A cidade ostenta vários grupos locais que administram hotéis na cidade, porém. não podem ser caracterizados como “redes” e sim “como complexos”, por não terem abrangência nem poder de distribuição global. Nos últimos dias de 2024, a cidade passou a ostentar a primeira operação da marca Transamérica Fit Collection. Como é muito recente essa chegada, não é recomendado acreditar que essa globalização da hotelaria seja uma tendência. Bandeiras flutuam.
Demanda
Uma das idiotices dos analistas de tendências é apregoar que a diária média vai aumentar, que a taxa de ocupação vai aumentar. Sem saber a quem estamos pensando em agradar, é preciso dizer que o equilíbrio entre oferta e procura aparece em todos os estudos conhecidos para o incremento de novos negócios: se o estudo prevê aumento de demanda, produz-se a informação de mais oferta e o equilíbrio volta ao “normal”, se é que existe “normal” em qualquer segmento da economia universal em tempos tão frívolos em termos de consumo e fidelidade.
União Sulamericana?
Com um sonho louco de chegar aos 7 milhões de turistas (louco, porém, muito possível), o Brasil faz propaganda pífia fora das fronteiras e esquece que o território do Brasil é maior que a União Europeia e o “cacho de uvas” da América do Sul é do mesmo tamanho da maior nação do mundo, portanto, o turismo interno do pais é o maior gerador de riqueza do setor. Ah! E a moeda? A moeda da UE é o EURO, portanto, lá, um viajante que saiu de Madrid e foi a Berlin, conta na conta de turista estrangeiro da Deutschland, mas, ele não converteu moeda, não carimbou passaporte e quiçá trocou de linguagem. A língua oficial da UE parece ser a INGLESA, mesmo que nenhum dos seus estados tenham essa língua como oficial.
Pindorama
A importância insubstituível do “turismo estrangeiro” é uma das melhores formas para gerar divisas. Para se ter uma idéia, o turismo brasileiro arrecada em moedas fortes, o equivalente a metade da safra de soja no mesmo período medido, sem cortar uma árvore, sem entupir um riacho, sem esgotas os mananciais hídricos, sem poluir uma fotografia de paisagem e sem cavar um buraco em terras verdes, empregando 800 vezes mais pessoas e adicionando valor cultural ao patrimônio nacional.
Passando ao largo da vala-comum de aumentos e quedas (quase ninguém prevê queda e ninguém gosta de admitir que elas estão sempre presentes de tempos em tempos, por isso essa marcha, tipo “marcar passo” de “bate-pe” no mesmo patamar nos últimos 50 anos), o que é preciso ser apontado é que em alguns destinos haverá uma superoferta em certos intervalos de tempo, o que provocará uma queda nos tickets médios e um investimento maior em captação de clientes.
O número de turistas aumenta sempre dentro das fronteiras nacionais pro causa do aumento da renda da massa trabalhadora nos últimos 20 anos. Mesmo que o mercado de turismo família resolva em parte esse problema do descompasso entre a oferta e da demanda, com a venda de cotas, o que garante receitas relativamente estáveis e presença de público mais robusta.
+ 3 TENDÊNCIAS
Boletos
Em 2003 houve a anúncio da tendência de, em futuro breve existir no turismo mais cabines de navios que quartos de hotéis. Isso se concretizou em menos de um quarto de século. Agora, em 2025, existe a previsão de que em alguns destinos, como nas praias, nas águas termais e nas serras, em pouco tempo, as taxas de condomínio dos fracionados, vão gerar mais receita que os pernoites.
FUTEBET ou BETBOL?
Os cassinos chegaram nas pontas das fibras óticas e invadiram os campos de futebol do mundo. Estes cassinos sustentados na Internet e na inteligência artificial, já criaram fama e fortunas, além de algumas idas à jaula da justiça. De qualquer forma, como na antiga propaganda da Imobiliária Júlio Bogoricim no Estadão, as BET “passaram os bancos para traz”, pois, algumas equipes do campeonato usavam o nome de algum banco no peito e agora, com a chegada das tecno-apostadoras, os bancos estão nas costas dos jogadores, pois, o peito da camiseta, o espaço mais valioso, pertence a quem paga mais.
Só falta mudar o nome do esporte de Futebol para Betbol ou Futbet
Cassinos
Mesmo assim, o Brasil está na iminência de entrar no roteiro dos cassinos tradicionais, aqueles mesmos que chegaram aqui no tempo do fakeimpério da família Orleans e Bragança.
Tudo bem que esta deve ser a décima tentativa de reavivar essa atividade, que ainda ostenta alguns escombros como rastros do passado a avisar a “fria” que significaram para seus empreendedores, mas, haverá muita movimentação e isso será muito bom para o país, pois trará um volume razoável de divisas.
“The En
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