MGM chegou ao brasil, atrás dos jogos, do público da TV… e dos resorts

A MGM Resorts International se uniu ao Grupo Globo em uma parceria e lançou uma empresa de apostas esportivas no Brasil, que está operando desde o início de 2025.

Quanto vale o jogo?

A nova plataforma tem o nome de BetMGM e, segundo a companhia internacional, é “uma plataforma de apostas responsável e de primeira classe para um dos mercados regulamentados mais novos e de crescimento mais rápido do mundo.” Hoje, a MGM Resorts é a maior empresa de cassinos do mundo em receita, gerando US$ 17,23 bilhões em 2024.

As empresas não revelam qual é a participação de cada uma no negócio. Para se ter noção do tamanho, a MGM faturou US$ 4,18 bilhões no terceiro trimestre de 2024 e é a acionista majoritária na Joint Venture com a Globo.

Onde serão os cassinos da MGM?

À sorrelfa, um pequeno grupo de 3 executivos tem se reunido nos Jardins, em São Paulo para discutir os próximos movimentos das peças no tabuleiro da jogatina: estão pesquisando locais e cenários para a aquisição de Resorts em operação que possam ser convertidos para os padrões da nova corporação. No mapa, três cidades aparecem com maior destaque: Guarujá, no litoral Paulista, Teresópolis na serra fluminense e Caldas Novas, no Brasil-Central. 

De volta para o futuro?

Por informações colhidas, os “jogos de sorte” no formato tradicional de cassinos instalados em resorts estará de volta ao Brasil a partir de 2026 e, consequentemente, a volúpia do capital internacional não está indiferente a esse movimento. Por isso atraiu o maior player nacional na área do “delusion time” para se associar ao maior player internacional na área dos cassinos. 

A história se repete?

Em 1936, um grupo se senhores com interesses diversos e com atividades em comum reuniram-se em Copacabana para discutir que rumo tomaria a hotelaria e os jogos, que eram praticados a solta no país desde os tempos do império, mesmo sem uma regulamentação que ordenasse a atividade. Naquela praia, dois pontos de jogos atraíam gente de todo o mundo e o governo queria tributos e aprovara a existência dos cassinos nos moldes americanos e grandes players internacionais estavam se insinuando. 

Um movimento capitaneado por Otávio Guinle (Copacabana Palace) e Joaquim Rolla (Urca e Quitandinha) foi ao governo e garantiu que os cassinos brasileiros seriam empresas nacionais. E assim, em um congresso, ficou selado um acordo entre Getúlio e o jogo, a hotelaria floresceu e a cidade ganhou fama internacional. 


9 de novembro de 1936 foi a data do primeiro congresso nacional de hotéis, onde nasceu a ABIH.

Patriotada:

Vele lembrar que em 1936, o país era o Rio de Janeiro e pouco mais. Guinle, que era um dos mais fortes empresários do país, controlando o porto de Santos e dono do melhor hotel do país, junto com um grande construtor e proprietário de várias casas de jogos. Com a nova lei, eles reinaram por algum tempo e templos dos jogos como o Cassino da Urca, o Copacabana Palace e Quitandinha, tornaram-se as maiores atrações da “década alemã”.

Naquele mesmo 1936, ano da regulamentação da lei dos cassinos, naquele congresso, sob a batuta daqueles senhores, nasceu a Associação Brasileira de Hotéis e só quinze anos depois, ela realizou a segunda edição do congresso, também coincidentemente, depois que o marechal deixou milhares de pessoas na rua e centenas de cofres vazios.

Períodos ditatoriais: 

Em quinze anos, o justo período dos governos de um homem só, a lei permitiu que houvesse mais de mil cassinos no Brasil e, com a mudança de governo, os novos donos do mundo mandaram que o presidente do Brasil por eles escolhido, cancelasse os jogos para reduzir a concorrência. E assim foi feito: o Marechal Dutra suspendeu definitivamente a jogatina e ajudou para que essa atividade florescesse em outros destinos, como Havana, Macau e Las Vegas.

Coincidentemente, a Alemanha, o Brasil e os Estados Unidos haviam vivido períodos ditatoriais. Adolf, Getúlio e Franklin, tomaram o poder no início da década e só saíram depois de mortos. 

Hotelaria Nacional:

A hotelaria tupiniquim, se quiser continuar tendo alguma relevância, deveria parar de bajular à direita e xingar à esquerda e, ao invés disso, passar urgentemente a defender seus próprios interesses. 

Don’t feed the bears

Se não ficar atenta, da mesma forma como ocorreu na internacionalização da hotelaria do país nos anos 1990, a hotelaria nacional perderá a relevância e vera seus hotéis tornarem-se belos escombros

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