O “P” esquecido no Marketing Hoteleiro

Por Igor Marins 

Por que a Personalidade é o único pilar que tira o hotel da Vala Comum?

A indústria hoteleira atravessa uma crise de identidade sem precedentes, onde o quarto de hotel passou a ser tratado como uma commodity, tal qual um saco de soja ou um fardo de algodão negociados na bolsa. No desespero por ocupação e no cumprimento mecânico de metas, o empresário do setor tornou-se um refém dos algoritmos, limitando sua estratégia a uma guerra de preços predatória que corrói a margem e desvaloriza o patrimônio. 

O reflexo dessa gestão numérica é sentido imediatamente pelo hóspede, que se depara com o “custo do barato”: equipes desmotivadas por falta de treinamento e estruturas que entregam apenas o mínimo aceitável para não estourar orçamentos asfixiantes. No entanto, o mercado ignora um fato fundamental: o cliente atual não busca apenas um teto; ele busca uma experiência e está disposto a pagar por diárias de valores mais altos, sem hesitar, desde que perceba um valor que justifique o investimento. 

A verdadeira virada de chave para a lucratividade não está em novos aportes de capital ou reformas faraônicas, mas no resgate de um pilar que priorizamos em nossa estratégia hoteleira: o P de Personalidade. 

A Personalidade é a alma do negócio; é aquele “jeitinho” único de acolher e servir que, na maioria das vezes, estava no DNA do fundador de forma natural, mas que se perdeu na burocracia da sucessão ou na expansão desordenada. Para nós, esse é o ativo mais valioso de um hotel, pois é o único fator impossível de ser copiado pela concorrência. Quando o hotel consegue formalizar sua essência e transformá-la em cultura de serviço, ele deixa de vender uma cama e passa a vender um estilo de vida, o que eleva instantaneamente o valor percebido e permite uma rentabilidade muito superior à do vizinho. 

Contudo, de nada adianta possuir uma alma única se ela ficar escondida atrás das paredes do hotel. 

O grande gargalo do hoteleiro atual é a falta de eficácia em traduzir essa “personalidade” para o marketing e para os canais de venda. Existe uma desconexão entre a entrega e a promessa, agravada por agências de marketing que, em busca de escala, empurram fórmulas prontas e conteúdos genéricos para todos os seus clientes. Ao aceitar essas estratégias “enlatadas”, o hotel cai na vala comum, tornando-se invisível em meio a um mar de ofertas idênticas. 

Romper o ciclo da commodity exige a sensibilidade estratégica de expor sua personalidade em cada ponto de contato, pois o hóspede contemporâneo busca o que é autêntico, sentindo-se atraído por marcas que espelham e validam seus próprios valores pessoais e seu estilo de vida. 

Igor Marins é Consultor de Hotéis e Resorts Especialista em Gestão Comercial, fundador da TOSS Hotelaria, construiu sua carreira com mais de 24 anos de experiência, passando por todas as funções em hotéis de lazer e negócios. Bacharel em Hotelaria desde 2001, especializou-se em Gestão Comercial pela FGV


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