CLT – Emprego, desemprego, escravidão  ou mais-valia?

À maneira de Friedrich Wilhelm Nietzsche

 

A gritaria é geral: falta gente para trabalhar. E a culpa é de quem mesmo?

 

O que faz faltar MÃO-DE-OBRA não é o bolsa-família do lula ou o auxílio-Brasil do bolsonaro, ou o bolsa-farda dos militares brasilianos (esses são os que, teoricamente, não trabalham). Senão vejamos a composição do povo pelo nível de esforço laboral:

  • 36% trabalham formalmente. 
  • 63,90% representados pelos desalojados pela mecanização rural e pela automação industrial recebem os caraminguás das bolsas e 
  • 0,01% representados pelos incluídos do Agronegócio que recebe “plano safra”, dos incluídos do sistema bancário que recebem “isenção fiscal” e dos ”industriais da farialima” que recebem incentivos fiscais para produzir alguma máquina tipo automóvel e televisor com insumos importados da Ásia, lingote de ferro para vender para a América do Norte e para o Extremo Oeste, ou latas de envasar cerveja.
  • 0,0001% localizados dentro dos 0,1%, ou seja, 210 são bilionários que moram fora do território brasiliano e destes, 176 usam passaporte não-brasiliano.

O que causa “desemprego formal” é a melhora da inteligência média das pessoas que descobriram que pensar não dói.

 

Pontos a ponderar:

A ideia de acabar com 100% dos empregos CLT é excitante: a CLT é um regime de escravidão disfarçado, ou nem tanto disfarçado e sim suavizado com medidas paliativas que dão a impressão de proteção, mas cria dependência. O que o patronato atual quer e que esse modelo escravagista recrudesça e não, desapareça.

 

Quase todos os que têm condições e vontade trabalhar estão trabalhando, só que não querem entregar a carteira de trabalho para assinar, com justa razão, após aprender no fogo e no ferro, o significado de liberdade. 

 

Estou sentindo isso aqui na pele: 50% dos meus colegas são NCLT nos últimos 5 anos e nenhum colocou na justiça para reclamar até agora: eles praticam horário intermitente, recebem por “nota fiscal” quando são MEI (mais de metade é MEI) e por “aperto de mão” (aquele contrato onde eu te dou uma nota de 100 por 3 horas de trabalho e tu me dá de troco um sorriso e um “até sábado”. É o melhor modelo de contrato. 

 

E se ele me colocar na justiça?

Não terá nenhum problema ou prejuízo, a justiça trabalhista é sempre a favor do patrão, pois, ela não pune, suas decisões magistrais não implicam em penalidade, apenas determinam que o reclamado pague o que deixou de pagar ao reclamante e isso não é castigo, é prêmio. 

 

A “Carta do Trabalho”, que aqui virou CLT, foi uma criação de Mussolini na década de 20 do século 20, quando o estado se achava pai, mãe e irmão do que alugava seu esforço para a “burguesia” (termo usado por Mussolini em seus discursos inflamados), sob a supervisão do estado forte aos moldes do Império Romano, que ele queria recriar, tanto que adotou o mesmo símbolo do dito milenar império: as fauces

 

Uma pequena parte do mundo adotou leis como as dele, mas, foram poucos, dá para contar nos dedos, porém, ele teve dois grandes seguidores Getúlio e Adolf. Para variar, Adolf se deu mal e Getúlio se deu bem. A falha nesse caso é que o único país que preservou a “Carta del Lavoro” no modelo facista, foi o destacamento Teuto-Peninsular que tomou o poder em Pindorama e conseguiu lavar o cérebro dos trabalhadores pregando que a CLT protegia os trabalhadores (do mesmo jeito que o império luso-brasileiro apregoava que a escravidão protegia os escravos, pois dava-lhes senzalas para proteger do frio – e aqui não fazia frio – e lavagem para encher o bucho).

 

Modelo:

Então, o que ocorre atualmente, no começo do segundo quarto de século do terceiro milênio, não é uma crise de mão-de-obra e sim, uma troca de modelo.

 

Como assim?

Mais da metade do povo está sossegada comendo a lavagem na senzala: as favelas não seriam melhores que as senzalas, onde o chicote foi substituído pela bala-perdida. Pode parecer cruel, mas, responda: será que 120 pilas dá para alguém comer um mês na base do costelão e do arroz com feijão? Então, pare de ser idiota e esqueçe isso, pois, o bolsa-família não sustenta ninguém.

 

Os escravistas disfarçados dizem que na senzala morriam menos negros que hoje nas favelas e que os da favela comem pior que os que comiam abaixo de chicote. Heresias terríveis porém, reais.

 

A solução nirvânica seria acabar com a relação de emprego baseada nas leis do estado e se criar um modelo onde o trabalho seria remunerado pelo “valor” e não pelo “tempo”. Onde o dono do produto se organizasse para compartilhar e o dono do esforço se organizasse para comprar seus próprios benefícios. 

 

Alguns povos conseguiram isso, não como a Europa que ficou rica saqueando o novo e o velh mundos, mas, como o Canadá, a Nova Zelândia e a China, que criaram leis que permitem a formação de cooperativas de produção e de serviços. O Brasil só permite as cooperativas de produção, como as que estão no agro e são empresas disfarçadas para não pagar tributos e no sistema financeiro, as quais, pelas mesmas razões, progridem em velocidade interestelar, pelas condições inéditas que criaram. 

 

Trabalhadores são doutrinados desde o ensino infantil a ter medo de outro modelo que não seja o de arranjar um bom emprego e ser escravo para o resto da vida – resto da vida, não: até a aposentadoria de pouco mais de um pacote de arroz por dia.

 

Desde antes do Egito Antigo, a pirâmide é construída do topo para a base (é uma técnica aprendida no meu curso da Mackenzie) e o progresso da sociedade também sempre o foi. O progresso nas relações de trabalho até 1.789, era feito ou permitido pela turma do andar de cima, que dava folga para o pessoal do porão. Até a tomada da bastilha, quando os prisioneiros sem causa ou razão, foram soltos pelo povo enfurecido. 

 

Máximas:

  • Agora, sem precisar de furor ou de tiro, porrada e bomba, os prisioneiros do porão está fazendo a revolução.
  • A revolução silenciosa do esforço medido em valor e não em suor.
  • Isso começou com Mahatma Ghandi no subcontinente indiano e chegou até aqui pela internet.

Tem culpa eu?

A culpa é da internet, da mesma forma que a fuga dos escravos do Egito para o Levante, foi culpa do papiro: 

 

A internet foi criada como instrumento de dominação e tornou-se um problema para a sociedade dominante, não porque libertou alguém, mas, porque ajudou a concentrar a riqueza de capital financeiro de uma forma tão avassaladora, que uma percentagem muito grande de ricos ficaram pobres para que uma percentagem muito pequena ficasse rica demais. 

 

Para perceber isso, basta deixar de raciocinar bovinamente e notar que até 60 anos atrás (quando a internet foi criada, em 1964), não existia nenhum ser humano individualmente detendo mais de um bilhão em forma de valor da moeda dominante, ou mesmo detendo fortuna maior que o PIB de uma nacionalidade. 


Hoje, menos de 200 seres concentram o valor da produção de mais de 90% de todos os países do planeta. 

 

A previsão orwelliana é: em 10 anos, 12 humanos terão o controle de 90% do dinheiro do mundo. 


Vou guardar a matéria da Bloomberg para conferir em 2.036.

 

Isso se a turba não se revoltar de novo e derrubar os muros da bastilha.

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