Multinível & Multipropriedade

Olha o que diz o Invest News sobre a nova “modinha de viola” cantada nos altares da igreja da prosperidade:


Promessas de riquezas e apelo religioso: o ‘jeito iGreen’ de vender assinaturas de energia solar,  telefonia e seguros, tudo por “assinatura”.


Startup de Uberlândia tem Vibra como sócia, cobra menos de R$ 2 mil para ingresso na rede e se vale do recrutamento para sustentar o crescimento


Em vídeos que circulam pelo YouTube, Instagram e TikTok, os irmãos Amanda Durante e Thiago Alexander, criadores da iGreen Energy, fundem a oferta de energia solar por assinatura a um discurso religioso que descreve o sucesso da empresa como um “mover de Deus” – uma manifestação divina, em termos mais laicos.


Amanda, CEO da companhia e pastora evangélica, diz que o objetivo da iGreen é provocar uma transformação na “vida espiritual” dos parceiros. Thiago, presidente da empresa, aposta em outro argumento para atrair novos participantes: retorno financeiro rápido.


O modelo de negócios da iGreen é o de marketing multinível. Para ingressar na rede como “licenciado”, é preciso pagar R$ 1.997.


Em vídeos de divulgação, Thiago afirma que esse valor pode ser recuperado em até dez dias e que os ganhos com comissões e royalties se estendem “até o infinito”, à medida que a rede cresce. A empresa também associa a progressão na carreira a recompensas de alto valor, como cruzeiros, viagens internacionais e carros elétricos – primeiro modelos da BYD, no fim, um Porsche Taycan.


Esse tipo de conteúdo também é replicado por milhares de licenciados espalhados pelo país. Hoje, segundo a própria empresa, são cerca de 25 mil participantes. No YouTube, um licenciado fala em “comissões mensais vitalícias e até mesmo hereditárias”. 


Em suma, as promessas clássicas do marketing multinível.


Fundada no fim de 2021, a startup de Uberlândia alega ter 500 mil clientes e promete quadruplicar esse número em 2026. E conta com um aval institucional de peso: a Vibra Energia, gigante que opera os postos Petrobras, é sócia da operação por meio da Comerc. 


Mas o modelo levanta questões. 


Consumidores reclamam de dificuldades para cancelar contratos. E a própria natureza do negócio — intermediar energia solar subsidiada — ocorre em um vácuo regulatório que já produziu pirâmides financeiras e outras fraudes bilionárias no setor.


Fora a questão matemática: ganhos que “se estendem ao infinito” são um desafio à lógica.


Vender & Recrutar


Thiago Alexander tinha 18 anos quando começou a trabalhar com marketing multinível. Passou por Herbalife e Hinode, onde se destacou como recrutador. Amanda, sua irmã, trabalhou em uma empresa que vendia energia por assinatura. Nenhuma citação a qualquer experiência relevante ou escola de referência. 


Da união das duas expertises veio a iGreen. A tese era de que o modelo de vendas de energia por assinatura não funcionava na internet nem em call centers da forma tradicional. A solução, conta Thiago, foi aplicar as técnicas do marketing multinível ao setor de energia. 


“É a possibilidade de eu utilizar o meu network. 


Ou seja, é a transferência de confiança. 


Eu transfiro a minha confiança para aquela solução e eu consigo endossar aquilo para amigos, conhecidos e familiares”.


Desde o terceiro mês de operação, Amanda e Thiago decidiram assumir publicamente a fé evangélica como parte do negócio. “Deus tocou o coração nosso e falou: ‘Eu preciso que vocês falem disso. Porque eu vou utilizar dessa empresa para alcançar milhares de pessoas’”, conta Thiago.


“Nós temos esses momentos de oração e pregação”, explica Amanda, que afirma ter visto milhares de conversões ocorrerem por meio da empresa”.


Com o pagamento da licença, o participante ganha acesso a aplicativos que conectam o licenciado a fornecedores de energia por assinatura, telefonia e outros serviços.


A iGreen, portanto, não presta o serviço diretamente. 


Funciona como uma plataforma que intermedia a relação entre fornecedores e consumidores finais – que passam a comprar energia solar coletivamente. “Nós viemos como um facilitador para conscientizar o cliente que ele tem a possibilidade de entrar num consórcio”, explica Thiago, que hoje tem 32 anos.


Um executivo de uma empresa que também oferece energia por assinatura, concorrente da iGreen, diz que a startup dos irmãos Amanda e Thiago “não é uma empresa de energia, mas uma empresa que recruta pessoas que vendem produtos”. “Eles são intermediadores, eles são o Uber, enquanto a gente constrói as fazendas [de placas solares] e produz a energia.”


Só para lembrar:

Um gramadense legítimo era considerado a mais “inteligente” personagem da sua cidade natal até 2013 quando construiu um parque temático e bombou. No ano seguinte também passou a ser considerado o mais “esperto” quando trouxe de Goiás o conceito de Multipropriedades e construiu um grande resort que até a presente data opera com uma bandeira hoteleira internacional. A partir daí ele começou a flertar com a fé e no início foram holofotes, palestras e exaltação. Ele era um “multimilionário” que construiu mais um parque temático e tornou-se bilionário. Se associou com uma igreja e misturou frio com fé, água quente com brinquedo e hotel vendido por frações de propriedade. Do primeiro parque vieram outros e depois outro e mais outro, buscou um sócio financeiro com uma sigla bonita do mercado farialaimico e, por causa dos CRI, perdeu a empresa, tentou outras aventuras com a igreja, que resultou em uma estrovenga que destruiu a harmonia da paisagem de Gramado e pode estar decretando o fim do sucesso do destino turístico mais amado da AL. No dia primeiro de julho de 2026, sua casa foi leiloado por preço vil e os rumores é que ele deixará pouco mais de uma centena de pessoas na fila do seguro-desemprego e 200 milhões de reais em aberto.


Na observação de um cientista econômico paulistano, “o multinível é primo-irmão dos resorts fracionados, pois, os dois levam para o mesmo destino aqueles que acham possível contrariar a lógica e a matemática ao mesmo tempo

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