Cenário da Hotelaria Gaúcha 2027

Uma revisão panorâmica de 2026 e uma projeção para 2027.


Como foi o primeiro semestre de 2026?

Um semestre de muita movimentação, quando a hotelaria regular, afinal, se aproximou da taxa de ocupação de 2018 e da ADR de 2013.


A triste polêmica:

Na capital gaúcha e em algumas outras capitais do país, ocorreu um fenômeno do aumento das taxas de ocupação que se viu seguido de forma menos parruda o aumento do “rendimento médio diário” (ADR). Não foi o número de clientes que aumentou no primeiro semestre e, sim, por terem desaparecido ou ter-se depauperado as instalações antigas.


No Rio Grande do Sul, algumas cidades, como Porto Alegre, hotéis muito desgastados mudaram de gestão e reduziram serviços, envelheceram e trocaram de gestores. Isso reduziu preço e fez hóspedes trocarem de endereços. Notou-se essa migração interna em 5 cases confirmados: do Hilton para o Park Inn, do Master para o Moov, do Manhattan para o Viverone, do Blue Tree para o Doubletree by Hilton e do Plaza para o Intercity.


A maior pancada ocorreu em Pelotas, que perdeu seu maior ícone da hotelaria: o Hotel Manta fechou as portas. Isso recuperou  a ocupação dos remanescentes, que estavam amargando a entrada em operação do Condo-Hotel Ibis Pelotas, mostrando a incisiva mudança de perfil do modelo de negócio hoteleiro notado em 15 cidades do estado.


Além disso, em todos os lugares, ganhou protagonismo a proeminência em operação de hospedagem alternativa, como Housi, Charlie e Cozy, somando com as plataformas globais AirBnB, Booking.com, entre outras. 


Lazarismo:

Na capital de todos os gaúchos, ganharam “penteado” novo sem “trocar de roupa”, a velha “estrutura” do City Hotel, que agora é Fast10. O Continental Business tornou-se HCC e ainda existem vários “cadáveres insepultos”, como os 2 Masters, o Suárez Mauá e o antigo Swan Tower.


A melhor polêmica 


A FNRH on-line & real time:

Ha muitos anos o governo, primeiramente através da Embratur e mais recentemente  através do MTur – ministério do turismo – tenta automatizar uma função que seria simples se não fosse a dupla finalidade: o processo de registro de hóspede é necessário para a estatística e fundamental para a segurança. Medir o tamanho e o comportamento do mercado de viagens em todos os seus segmentos, desde a saúde até a participação em eventos, poderia criar um banco de dados muito útil para a gestão eficiente de todas as atividades características do turismo. Na segurança, saber quem está se hospedando é fundamental para coibir o contrabando, o sequeiro, as fugas de criminosos, a entrada e rastreamento de indivíduos perigosos e para conter o tráfico humano, a pedofilia e a exploração infantil. 


A maior polêmica:


A diária de 21 horas:

No apagar das luzes de uma gestão sem brilho, o MTur regulou sobre o termo mais idiota da hotelaria. Vender “diária” de hotel soa como o metro de 90cm do “Seu Leo” ou a milha de 160 centímetros do Professor Picolli, afinal, hotel existe porque existe “noite” e não que exista “dia”, a unidade de medida de hospedagem é “pernoite”.


A regulação fez os hoteleiros acharem que podem vender uma diárias de 21 horas e, ao mesmo tempo, os clientes reivindicarem uma diária de 24 horas. E, para sacramentar o legado de Dunning & Kruger, os dois têm absoluta certeza que estão com a razão.


A pior polêmica:


O Split Payment:

Repentinamente, um termo que era bastante usado pela linguagem das FINTECHs, passou para o dia-a-dia do cidadão comum até o mega empresário, por ter sido citado por um ministro que “descobriu” um jeito de arrecadar com muita facilidade, antecipadamente, prescrevendo uma crise no meio empresarial paraprofissionalizado, que sempre usou o dinheiro dos tributos como capital de giro. Existe a possibilidade de, em curto prazo, haver uma quebradeira razoável por causa da prática do split payment, que pode ser chamado de pré-tributação. A hotelaria estará neste balaio?


A idiocrática polêmica:


A escala 6×1:

Regular a escala de trabalho soa como tentar revogar a lei da gravidade, muda-se a cara do problema, mas, não se altera o princípio.


A idéia de “semana” é multimilenar e não teria mais sentido se a humanidade evoluísse em alguns quesitos, nos quais ela ainda está vivendo na caverna com medo do frio lá fora. Não há justificativa para se ter noção que é impossível intervalar atividades inexistente na época da criação da escala 6×1, quando a humanidade ainda não sabia o que era metal e a atividade mais sofisticada dos humanos era juntar lenha e ordenhar cabras montanhesas.


A sacralidade do domingo é uma estupidez depois que serviços antes inexistentes se tornaram essenciais. Suspender industrialmente determinados períodos de atividade é uma atitude que denota sacrifico de uma atividade em favor de outra, pois, para que um “descanse”, é preciso que uma multidão se mexa, mesmo depois que inventaram máquinas até para escovar os dentes. O “descanso” é necessário, fundamental, essencial, justificado e nada indica que a humanidade acha que evoluiu para ver o trabalho como algo meritório e agradável, deixando-o com o significando sacrifício e sofrimento. Se não o fosse, ele, o trabalho, não seria remunerado. Por isso a mecanização, a automação e a robotização, são necessárias e urgentes, para, possivelmente mudar o modus operandi dos pseudos-inteligentes na forma de gerir o tempo e encarar a produtividade rockefeleriana como medida de resultados de tarefas e não como presença, disciplina e obediência.


A perigosa polêmica:


A pejotização:

Segundo um teórico razo da “gestão de pessoas”, que deveria ser denominada de “gestão do tempo e do comportamento dos contratados”, a lei trabalhista não pune nenhuma das partes, apenas corrige. 


Por isso, se uma empresa contratar uma trabalhador com as características de CLT no formato PJ, existirá o risco de ocorrer uma autuação e, nesse caso, a correção terá o custo acumulado do período onde não houve o cumprimento da formalidade. Só isso. Caso não ocorra a correção, quem contatou terá vantagens é quem foi contratado trabalhará da mesma forma. O argumento social da segurança financeira do trabalhador, cai por terra se ele tiver responsabilidade de produzir sua própria segurança, o que é factível de forma facilitada pelos instrumentos que foram desenvolvidos ao longo do tempo, como poupança, investimentos, patrimonialização, acesso à saúde e à escola.


A lei trabalhista baseada nos ritos de Mussolini é injusta para o trabalhador, pois lhe retira o poder de decidir sobre seu modus vivendi, reduz a correção monetária da garantia financeira e transforma-o em um fantoche do estado. Para o contratante, o estado o transforma em um refém heráldico, aquele que tem que agir de acordo com a vontade do senhor feudal travestido de governante.


A nova polêmica:


A robotização:

Na hotelaria, os robôs atuais podem reduzir a administração pela metade, substituir as funções de carregar peso, deslocar volumes e transmitir informação de forma amigável, o que reduzirá os postos de trabalho para 1/3 dos necessários antes de hoje. 


Da mesma que na década de 1980, a força de trabalho humano para operar um hotel era de um trabalhador para cada quarto, hoje essa força de trabalho já foi reduzida para um terço, graças à mecanização, automação das atividades e dos procedimentos. Essa próxima redução já está inteiro no horizonte e deverá levar pouco tempo, um lapso estimado de menos de 5 anos e, com essa tendência se confirmando, será “se adaptar ou morrer”.


A Inteligência Artificial está elaborando contratos, escrevendo estatísticas, construindo planilhas e substituindo advogados, administradores, médicos e crono-analistas, criando cardápios e no futuro vai até decantar o vinho jovem nos  ágapes dos restaurantes mais sofisticados e dos hotéis mais descolados.


A Robotec, empresa brasileira, está distribuindo máquinas com formatos quase humanos que desenvolvem trabalhos de garçom, Concierge, manutencionista, manobrista e mensageiro.


A expectativa:

Os três novos hotéis de Porto Alegre e a entrada em operação de 3 resorts na serra gaúcha, no limiar de 2026, está criando vagas de serviços para trabalhadores inexistentes, os quais deverão ser buscados em cidades distantes mesmo que vizinhas, onerando a operação em custos transporte, degradando a qualidade de vida desses trabalhadores, que passarão se deslocando o equivalente a quase 1/3 do tempo de trabalho, isso refletirá no tempo de aprendizado e de convivência familiar. Além disso, estão criando necessidade de produção de novas residências, impactando na configuração das cidades em seus serviços essenciais, como creches, escolas e postos de saúde.


Então, a discussão na hotelaria pode deixar de ser a necessidade de contratar mais trabalhadores e sim, de comprar mais robôs.


Debacle:

Poucas surpresas fizeram a hotelaria sentir que as novas formas de hospedar chegaram para ficar e o governo voltou a cometer o erro de regular o que não entende, ouvindo lideranças que acham que entende: afinal, tentar sacramentar a unidade de medida do produto vendido por um hotel como “DIÁRIA” foi um tiro no pé. 


Repetindo para não esquecer:

Os hotéis entenderam que podem vender 21 horas e os clientes acham que podem encrencar por 24 horas. 


Delírio! 


Mais uma vez, os “curiosos” de dentro dos governos, legislam sobre o que não conhecem e imputam padrões aos que empreendem e castigam com a falácia os que deveriam usufruir.


Porque acontecem tantas divergências que poderiam se entendidas de forma simples?


A Hotelaria no mundo inteiro vende “ROOM NIGHT” ou, traduzindo: “PERNOITE”. 


Para a regulação das plataformas que vendem UHD – Unidades Habitacional Distribuída – os reguladores não dedicaram de forma contundente ou suave, nem um pio ou uma vírgula.


Mais uma vez, a falta de liderança da hotelaria jogou-a na vala onde jaz os cadáveres da idiotice.


Na maior demonstração da falta de tino e clareza dos que deveriam defender o setor, por causa de serem “curiosos” nas duas faces da moeda: não entendem de turismo por serem oriundos de outros setores e por não serem empreendedores, por serem oriundos do serviço público. 


Houvesse culpados por essas idiossincrasias, seria o próprio empreendedor do setor, que, como na fábula de La Fontaine, por arrogância e ignorância, se condena à morte por prestigiar o algoz. Por alegada falta de tempo ou de aptidão para a politica, terceiriza a representatividade para os “espertos”, pagam e depois, reclamam.


Case emblemático:

Em Gramado, a joia da coroa do turismo tupiniquim, repetiu-se um fenômeno recorrente: o medo da concorrência por parte da hotelaria proprietária e desprofissionalizada, pressionou a prefeitura para proibir novos hotéis na cidade. Isso mostrou dois erros:


1 – O inimigo é outro:

Essa hotelaria pintada com as cores do atavismo atirou no próprio pé e está ferida de morteiro gangrena: ao proibir novos hotéis, esqueceu-se de pedir para se proibir a construção de condomínios residenciais para uso da hotelaria distribuída por aplicativos. 


2 – Lei da gravidade:

Tentar frear o progresso de novos hotéis em algum destino seria o mesmo que revogar a lei da gravidade, pois, caso isso se fizesse, não nos livraríamos do fato que “matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias”, como determinou Isaac Newton. Seria como se os trabalhadores rurais destruirem os tratores para evitar a mecanização agrícola. 


Por não serem atribuições de prefeituras simplesmente proibir, elas, prefeituras deveriam observar as leis do mercado e preparar as cidades para esse crescimento e essas mudanças, como prover acesso, mobilidade e moradia, construir creches, escolas e aparato de segurança, como equipar a defesa civil, a guarda municipal e os corpos de bombeiros e dispor dos equipamentos e infraestrutura de saude. O resto, o mercado resolveria. 


Como será 2027?

A Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino em 8 cidades do Brasil, deverá movimentar de forma significativa os setores de hotelaria, eventos e turismo destes destinos premiados. Porto Alegre está entre eles. O movimento da hotelaria não será afetado de forma profunda fora destes destinos, nestes 2 meses do evento – junho e julho.


Cenários:

Como exercício de cenários, 4 tendências estarão em movimento, seja na superfície visível a todos os olhos comuns ou nas entranhas do negócio, sendo visto apenas por quem está mergulhado na ciência da hospitalidade.


5 TENDÊNCIAS:


1 – Relações de Trabalho

O que se detecta é que continuará a “grande marcha” para a desregulação total de um regime trabalhista inventado pela “carta del lavoro”, a proposta fascista onde o estado tudo pode e a empresa é mãe e pai do trabalhador, que viverá sob um regime parecido com o aplicado na construção do Templo de Yaveh por Salomão. Resultado: a pejotização e a informalidade parcial ou total será a tônica. A  redução da jornada de trabalho (que poderá ir para as calendas) avisará aos interessados que não há mais operários e que os robôs, sejam de software ou de hardware, já têm mais de 50 anos de experiencia para fazer o trabalho pesado, repetitivo e insalubre.


2 – Distribuição e vendas de Pernoites:

Todos os Hóspedes serão nômades digitais, sua captação e sua retenção será cada vez mais fácil de atrair e também fácil de perder. Caso não se mude as forma de vender, aproveitando a variante AIDA – Acesso, Interesse, Decisão e Aquisição – um hóspede poderá ser captado e perdido enquanto ele trafega da sua origem até o destino. 


3 – Atendimento:

Duas características poderão fazer a hotelaria continuar nos tempos do neolítico: ela continuará com os mesmos padrões de atendimento no fatídico estilo religioso/militar herdado das guerras. 


Quem conseguir criar formas amigáveis de atendimento fará a diferença. 


O fim da frieza: 

A sensibilidade do terceiro milênio fará com que os sorrisos deixem de ser protocolares e os gestos desidratados, senão, os hóspedes vão continuar migrando para as UHD pensando em pagar menos e viver novas experiências. As plataformas serão cada vez mais agressivas.


4 – Hospitalidade

Nos principais pólos turísticos do país as ACT foram substituídas pelas EBI e isso fez que os turistas não sejam mais tratados como hospedes e sim como compradores. Os recepcionistas foram substituídos por corretores de imóveis e as cotas passaram a substituir o pernoite como unidade de venda.


5 – Inteligencização

A entrada da IA – inteligência Aumentada – nas vertentes de software e hardware, pode alterar o comportamento da hotelaria, com uma consequente “dança das cadeiras”, com quem não entra, espirra – os algoritmos substituirão os trabalhadores do back-office e os robôs substituirão os trabalhadores do front-office.


Indicadores

O movimento da hotelaria está muito ligado à atividade econômica do país: as unidades de medida mais confiáveis São o PIB e a taxa de emprego. Caso estas se comportem, a hotelaria terá bom movimento e poderá se equipar para os novos tempos, onde foi pouco percebido que o nível subiu três pontos da régua e a hotelaria, por razões ainda não apuradas, não acompanhou e terá que marchar em ritmo acelerado para tirar a diferença.


O Pais bateu um recorde de entradas internacionais de viajantes de ida e volta e o turismo interno foi vigoroso em termos de preço e movimento. Agora, será um desafio manter os mesmos patamares de ocupação, rentabilidade e entrada de novos hóspedes. Isso vai demandar novos materiais, novas formas de treinar, vender e conquistar clientes.

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