O progresso à moda gaúcha: Semelhanças e Diferenças

Queise Uane:

Uma papeleira de origem chilena, chamada CMPC, que herdou uma grande fábrica em Guaíba a qual por sua vez havia sido herdada do tempo da ditadura hitlerista vindo de uma dinamarquesa que havia entregado para  uma quatrocentona  paulista que a descartou por ter sido vítima do subprime de 2008, quer triplicar a produção, transformando em uma plantação de eucaliptos, o brejal daquela área baixa que vai da divisa com o Uruguai até o Delta do Jacuí. Eucalipto é aquela árvore australiana que bebe muita água e não sustenta nenhuma fauna ou permite que nasça qualquer flora perto dela.


Queise Tchu:

Uma empresa norte americana da indústria 5.0, projeta construir datacenters em Eldorado e vende a idéia que isso é tecnologia para o povo gaúcho, por isso quer vantagens e recursos. 


Qual a semelhança entre o projeto de datacenters em Eldorado do Sul e a instalação da papeleira em Barra do Ribeiro?


Água e energia! Muita água e muita energia!


As duas multinacionais estão atrás de lugares que tenham muita água e energia – de preferência, de graça.


Mas, elas não fabricarão água e nem farão a captação de energia, isso vai precisar de investimentos da turba enfurecida que saliva por propina. Ou vai ter que vir dinheiro da China.


Qual a diferença entre um projeto e outro?

Um é da indústria do passado e o outro é da indústria futurista.


Um vai ficar num aglomerado urbano de nível sub-humano, sem área verde e sem cultura humana que sequer pense  em contestar sua instalação, os olhos da prefeita brilham e seus lábios salivam pensando no dinheiro. Não vai gerar grande número de empregos e a mocinha tem o desplante de dizer que o datacenter vai evitar enchentes. Claro! Ele vai beber um Guaiba por dia! Mesmo assim, vai ter enchente.


A papeleira do passado, quer água, energia, mão-de-obra barata e um rio para despejar dejetos poluentes e envenenantes.


Quem quer?

Os depredadores, exterminadores do futuro, ladões sem disfarce e enganadores da mídia em troca de patrocínio, cravam: “é uma vergonha” o fato de o ministério público querer que as comunidades envolvidas sejam ouvidas entes de serem expulsas de suas terras, envenenadas e exterminadas.


“Vergonha” é passar o trator sobre povos originários, pescadores e quilombolas para poder chupar a água, poluir o lago e envenenar a população de 600 mil habitantes residentes em várias cidades que ficam entre as bordas da laguna e a boca do canal de Rio Grande, que ficarão doentes e as crianças que sobreviverem sem aleijões, terão dificuldade de aprendizado.


Porque será que o Texas e a Califórnia rejeitaram os Datacenters e o RS acha que trinta empregos é uma escada para o Nirvana?


Porque será que o Uruguai rejeitou a papeleira e o RS sonha com ela?


Porque os povos da estrela solitária e os povos do pacífico sabem quanto custa a sede e conhecem de cor e salteado o balançar do terremoto.


Porque os uruguaios criaram um sentimento de pertencimento que o rio-grandense não tem e acha que está aqui só para arrebentar com tudo, se aboletar, enriquecer e depois ir para o norte.


Os datacenters estão sendo expulsos dos países ricos porque eles chupam água, comem energia e criam vibrações em frequências que alteram a psique dos seres vivos.


Além disso, as distâncias entre os datacenters e os headquarters, exigem cabos de milhares de quilômetros estendidos pelos mares e pelas terras.


E onde vamos colocar os Datacenters?

“Na nuvem!!!”


Por isso, os ricaços dizem que lugar de datacenters é nos países pobres e no espaço superior, 300 km acima do nível dos mares. 


Se as empresas trilhiardárias quisessem resolver o problema da terra, investiriam em projetos de criar os datacenters no espaço, onde a gravidade é zero ou quase, o ambiente é muito frio e não precisa de água para refrigeração das máquinas e não precisaria de milhares de quilômetros de cabos.


O pior cenário:


Data Center

Gera pouco emprego.

Consome muita água 

Engole muita energia


Papeleira:

Consome água na plantação

Desedifica

Expulsa a fauna

Envenena a água

Adoece os humanos


  • Os datacenters com seus bilhões de bytes zumbidores que irritam o ouvido das crianças, matam os cães, enlouquecem os gatos, fazem as galinhas não botar ovos, fazem as vacas esconder o leite e os cavalos pinotearem, precisam ser mandados para o espaço. Literalmente.


  • A papeleira e seus bilhões de toneladas de veneno, precisará investir em equipamentos para não poluir, não envenenar, não exterminar, não ofender as culturas e descobrir um jeito de produzir árvores menos sedentas em menos espaço. A ciência pode ajudar, se tiver chance. Ou ir para o Paraguai, se o Paraguai aceitá-la por lá.

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