Quem vai comprar meus frangos?

Foi a pergunta feita por um empresário de Encantado, exportador de frangos para a China, quando perguntamos como será aquele país em 2099, com apenas 700 milhões de habitantes.

Já nasceu o gauchinho que vai viver num mundo em que a China terá perdido metade de sua população. e o Brasil também!

O Rio Grande do Sul verá sua população começar a decrescer em 2027… É isso mesmo que você leu: no ano que vem, a população gaúcha vai entrar no vermelho e dali em diante vai regredir e isso será a primeira de muitas regressões da população do país, que passará a diminuir a partir de 2041.

Esse retrato é preocupante: cada vez mais idosos e menos jovens em idade de trabalhar. Idosos sem filhos e sem parentes para lhes amparar e os governos não terão como sustentar essa massa, pois, não haverá contribuinte suficiente para formar a reserva financeira para isso.

Com a longevidade crescendo e os nascimentos diminuindo, antes do final do século a humanidade estará reduzida pela metade e tudo será reorganizado, principalmente as relações familiares, havendo uma multidão que jamais conhecerá a figura do tio ou da tia e pessoas que viverão menos por falta de amparo  e afeto. A solidão está batendo na porta e será o motivo de mais mortes que coração, cérebro ou gripe.

O horizonte é sombrio para as economias exportadoras de comida, com a diminuição dos consumidores, a tendência é que haverá sobra de produção. 

Imagina um cenário onde a China passe a comprar apenas metade de tudo que ela compra atualmente: vai haver menos necessidade de produto agrícola, menos minério e menos proteína animal, resultando em crise nos países produtores como Brasil e Argentina.

Na vizinhança já se sente o que é o reflexo da diminuição da população: Porto Alegre perdeu uma média de 18 pessoas por dia entre os anos de 2010 e 2022. Em 13 anos mais de 76 mil pessoas foram embora da cidade pelos mais variados motivos, com percepção visual da fuga de aposentados em direção ao litoral gaúcho e catarinense e à serra gaúcha. Uma pergunta que não quer calar é: como está sendo preenchido esse vazio?

A rodoviária de Porto Alegre informa de maneira não oficial que esses números recrudesceram nos anos seguintes, principalmente por causa das tragédias das enchentes e da falta de segurança.

Somando-se a redução dos nascimentos, do envelhecimento e das fugas, a economia da capital precisará de novas motivações para continuar pujante e atraente.

Além da redução pura e simples da população, há a quebra de paradigmas que modificaram drasticamente os costumes no deslocamento interno, quando vimos falir o sistema de lotação, o esvaziamento dos ônibus e está se avizinhando o fechamento massivo de lojas de rua, substituídas pela forma de vender. As lojas não estão quebrando por causa da crise econômica (que não é verdadeira), dos governos (que nada têm com isso) ou da competência dos empresários: os costumes colocaram os balconistas em selins de bicicletas e os clientes trocaram o balcão da loja pela soleira da porta de casa e o caixa agora está na telinha minúscula para onde se mudaram as vitrines e as agências bancárias.

É urgente reformatar a sociedade, a economia, a família e a cidade. 

Esse é o desafio colocado de imediato às autoridades, aos estrategistas e aos pensadores.

Como será o mundo com menos gente?

Como será a Porto Alegre do futuro?

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