Porque as empresas somem?

Um exercício

Porque as empresas adoecem?

Em um talkshow realizado no auditório do complexo Ilha Pura, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 7 de maio de 2026, em uma roda com 3 experts do mercado financeiro, tivemos a oportunidade de colocar duas perguntas filosóficas, baseadas no que lemos nos noticiários especializados:

A melhor intervenção foi do Engenheiro Ronaldo Geske, avaliador do BNP-Paribas, que deu uma resposta contundente com três pontos:

O dono

Geralmente um intuitivo que escuta mais a esposa e o filho que o contador, o estrategista e o advogado.

O gestor

Geralmente um bom bom “vendedor de si mesmo”, oriundo de uma nomeação emocional, baseada nos critérios de parentesco, religião ou alinhamento político.

O modelo

As empresas começam a viver suas existências de forma improvisada e crescem por oportunidades de mercado e quando grandes, continuam no improviso, com isso se endividam e recorrem ao colo do estado-mãe que perdoa tudo: a recuperação judicial, em grande parte dos casos, é  um prêmio à incompetência, com a desculpa de salvar empregos.

Mas, qual a saída?

Para o economista Germano Poganski, qualquer empresário que formou um negócio que fature mais de 50 milhões de dólares, que queira sobreviver ao primeiro divórcio, ao filho artista ou ao cunhado gênio, precisa corporativisar a empresa, abrindo seu capital, substituindo a prática de tomar empréstimos pela emissão de papéis que lhe traga recursos sem a carga dos juros e sem a insegurança de depender dos humores dos governos.

Porque as empresas morrem?

O gestor de negócios imobiliários do Grupo BTG-Pactual Rafael Souza, respondeu essa pergunta após o cafezinho, e contextualizou: 

  • 99% dos CNPJ morrem em menos de 10 anos e essa mortalidade infantil acabou fazendo com não se perca tempo em pensar nisso por ter-se tornado corriqueiro. A notícia sobre falências e recuperações judiciais chama a atenção, escandaliza e assusta, quando morrem os elefantes. Aparece nos meios de comunicação e os concorrentes comemoram e comem os seus restos, como se o mercado fosse formado por abutres. Mas, retirando as micro e pequenas que não empregam, não constroem e não alteram a paisagem, as grandes quebras não são por causas econômicas e sim culturais.

  • Para a cultura da empresa familiar não há remédio: ela vai continuar quebrando a cada geração e dando lugar a outra aventura, com outros aventureiros, com raros casos escapando desse destino funesto pelo desapego, quando a família abre mão de ser “dona” e coloca a empresa no mercado, vendendo ações e tornando-se partícipe e não gestora. Contratando por mérito e não por afinidade. 

As conclusões que se pôde tirar desse aprendizado foi que o esforço para construir uma empresa, só contribuirá para o progresso do país, da cidade e da sociedade, se ela for para a bolsa de valores antes do dono ficar doente, ter uma crise na família ou morrer.

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