Para os empreendedores, o futuro está na TESS.
Para chegar a essa conclusão, é preciso fazer uma viagem no tempo e no espaço.
Ontem:
No Brasil e em boa parte do mundo não-rico e colonizado, até a década de 60, turismo quase não existia ou não tinha relevância econômica e se resumia em funcionários públicos tirando férias, senhoras tratando de saúde em destinos de águas quentes em banheiras públicas, preferencialmente perto de onde eles estavam porque viajar para longe era penoso e desconfortável. Foi assim que cidades minerais e termais fizeram sucesso:
Poços de Caldas, Caxambu, Lambari, São Lourenço, Campos do Jordão, Iraí, Garanhuns, Guarapari e mais alguns espalhadas mundo afora, recebiam gente atrás de cura para alguma doença real ou imaginária.
Balneários famosas, como Guarujá , Búzios, Angra dos Reis, Torres e outras com pouca gente e muita água, tornaram-se objeto do desejo de jovens com muitos sonhos e magnatas com muito dinheiro.
Belezas insofismáveis como Foz do Iguaçu, Alter do Chão e Barreirinha, só seriam famosas e desejadas, na primeira virada dos sentimentos humanos em favor do belo, bonito e saudável. Os três ao mesmo tempo.
Hoje:
A badalação passou a fazer parte da ostentação. Em um mundo pós-verdade, o delírio e a paisagem podem ser colocadas no fundo das fotos e elas não são mais vistas como recordações e sim como testemunhas que já não valem mais, por causa dos programas inteligentes e da Inteligência Aumentada, que recriam realidades, podendo colocar qualquer paisagem junto com qualquer imagem. Assim, lugares como: Balneário Camboriú, Jericoaquara, Capitólio, Caldas Novas, Gramado, Olímpia… Não precisaram de praias fantásticas que agora podem ser “engordadas”, águas quentes que agora podem ser artificiais, aquecidas por resistência elétrica ou buscadas a grandes profundidades com perfuratrizes de grande performance e sobra apenas aquilo que ainda não foi substituído por uma pastilha de silício, uma fibra ótica e um datacenter:
OS SENTIDOS:
Cheirar uma flor, sentir a brisa, comer um pão com linguiça, uma moqueca ou um feijão tropeiro, sentir o sabor do vinho, da cerveja e do pequi, ainda sobrevive. O resto fica por conta da badalação da foto que chega em 4 segundos nas telinhas dos que não puderam vir junto. Podemos chamar a badalação de ostentação que estará bem definito também.
Amanhã:
Qual será o próximo objeto de desejo dos humanos com tempo livre?
Paisagens:
⁃ Montanhas
⁃ Praias
⁃ Lagos
Cores:
⁃ Verde
⁃ Vermelho
⁃ Azul
Crônicas do gelo e do fogo:
Viagens para apreciar a aurora boreal, assistir lava descendo de vulcões, ver um bloco de gelo despencando de uma geleira, deslizar em uma montanha coberta de neve natural, comer um queijo dentro de uma caverna e tomar uma cerveja dentro de uma pedra de gelo, ou mergulhado em uma cratera quente ou ainda dentro dos túneis de uma mina de sal abandonada ou nas cavidades de uma mina de extração de pedras preciosas, serão imperdíveis e desejáveis a qualquer preço.
Paisagens radicais:
Para subir se arrastando e descer de rapel, existem muitos acidentes geográficos que permitem isso e se não os encontrar, pode-se pular de pontes, viadutos, arranha-céus e até mesmo de torres de beleza duvidosa. A adrenalina é garantida em atrativos naturais e nos construídos. A sensação de felicidade momentânea na natureza pode ser maior, por associar mais de um sentido, com a visão fazendo companhia para o tato e o olfato.
Brinquedos comestíveis:
Como a tapioca, a moqueca, o fondue, a pizza e o espeto, servidos por atores teatrais e não mais por garçom fantasiado de soldado da segunda guerra, ambientes construídos para levar a platéia para dentro do cenário.
Tendências:
Onde será o lugar que ocupará as páginas de férias, eventos, ti-ti-ti das bodegas e mi-mi-mi de redes sociais?
Para responder essas perguntas, não precisa ser expert em turismo, economia, gastronomia ou hotelaria. Necessário se faz saber história e sociologia. Afinal, o que vai decidir o destino não são as técnicas comerciais e sim as mudanças de hábitos humanos e a sociedade dos sonhos.
Senectude:
Quem pretender determinar onde estará os destinos turísticos do mundo, deverá mergulhar nos costumes e nos interesses dos humanos cujo perfil está sofrendo mudanças radicais. Por isso se vê pessoas com mais de 50 entrando em universidades, subindo em montanhas antes inacessíveis, entrando em arenas de shows onde os artistas são cabeças brancas com comportamento de pré-adolescentes esfregando cordas em guitarras elétricas, soprando em canudos e espancando pratos e tambores, em lugares cada vez mais longe de onde elas residem.
Coisificação:
Da mesma forma se percebe crianças com cada dia menos idade cumprindo exigências sobre-humanas em busca de sucesso para seus pais e não para si mesmo. Isso é a geração dos replicantes: o filho deixa de ser um ser e passa a ser algo que possa render fama e ou fortuna, um algo não verbalizado como uma arrogância do pai, seja ele bem sucedido, rico de berço ou alpinista social, para fazer o filho ser aquilo que ele não foi ou poderia ter sido ou ainda, como objeto de obtenção de lucro.
Isso foi chamado de coisificação geracional e trouxe transtornos sociais e psicológicos para indivíduos e famílias, mesmo que só se preste atenção nos casos famosos, na mente de muitos pais, levar o filho para a escolinha de futebol, para a aula de informática e de línguas, deixa de ser uma preocupação com a sua evolução como ser e passa a ser um investimento.
Afinal, no capitalismo, o que interessa não é o que traz felicidade e sim o que faz dinheiro.
Replicantes replicáveis:
Esses replicantes farão as viagens autorais explodirem, quando o turista seguirá o atleta dando um rolê durante o torneio, os navios que hoje já ficam lotados de gente para seguir cantor, pastor e jogador de qualquer coisa. Na próxima rodada serão os aviões, com belugas levando 500 pessoas para assistir as Stratocasters rifarem a 10 mil metros de altura e a 900 km por hora atravessando meio planeta.
O culto ao corpo:
A busca de corpos artificialmente embelezados está produzindo fortunas, o que justifica os números, tanto de coisas como de tragédias.
Existem atualmente mais farmácias que restaurantes e mais academias que meios de hospedagem.
Descansar o corpo tornou-se desnecessário porque os esforços foram transferidos para dentro das máquinas, por isso, depois de retesar os músculos atrás de telas e criar uma lesão por esforço repetitivo teclando, um colchão macio com molas magnéticas, um travesseiro de plumas de ganso ou uma boa comida, pode ser trocada por uma hora de malhação e uma garrafa de energético.
A psicotropia:
O corpo precisa exercício porque os braços foram roborizado mas as mentes continuam comandando o mundo e projetando tudo. Passar 12 horas pilotando um bólido levando mais de 200 vidas mundo afora, faz os pilotos da aviação comercial ficarem estressados. Confinar um médico em uma UTI por 6 horas faz com que sua cabeça fique zonza de tanto gemido e um vendedor assolado pela planilha de metas imbatíveis, faz com que ele chute o cachorro na rua e brigue com a mulher no começo da noite.
Por isso, “relax centers” se instalaram como oportunidades, próximo de “stress centers”. O mapa que mostra isso são aqueles onde as grandes cidades estão a menos de duas horas de deslocamento terrestre de algum paraíso.
A idade do Delírio:
Já está se inserindo e no futuro não será mais preciso esquentar a cabeça: ficou em dúvida? Pede ajuda para a IA que ela gera respostas. E se a resposta não for verdade? Muda-se a verdade, porque o algoritmo sempre tem razão e é melhor obedecer, senão, ele tranca o portão que abre com o reconhecimento facial, cancela o saldo do cartão, bloqueia a rede e a assinatura do streaming.
O Gap:
Mesmo assim, alguns visionários de “ponta de nariz com menos de meio metro”, declaram orgulhosamente que só investem em coisas consolidadas, “só acredito, vendo”. Sem pensar que seu negócio só vai durar uma geração e depois que ele se for, os mega cientistas do YouTube vão fazer vídeos cheios de afirmações bombásticas e saber raso, dizendo que o herdeiro é um fracassado porque não conseguiu manter de pé o que o pai ergueu. Covarde! O negócio não rodou e não ficou de pé porque ficou obsoleto e não, por causa do herdeiro que queria ser tenista e o pai o obrigou a estudar medicina atrás de ganhar um Prêmio Nobel el el.
ACT versus TESS:
As atividades características do turismo – ACT, por serem transversais em termos econômicos e verticais em sentido social, foram, são e serão sempre atingidas pelo martelo dos setores de tecnologia, entretenimento, saúde e saber.
Martelando:
Para os empreendedores, o futuro está na TESS.
TESS:
- Tecnologia
- Entretenimento
- Saúde
- Saber
A Tecnologia está na Inteligência Artificial caminhando para a robótica humanoide. Investir nisso não é só comprar robôs para substituir cuidador de idoso, agente de segurança, entregador de pizza, garçom, faxineira ou vendedor e, sim, criar ou investir em empresas de programação, manutenção e operação de robôs.
O Entretenimento está se tornando o melhor gastador de tempo, desde o ato de fazer um humano não-robô gastar 5 horas em um jantar, até criar um museu de curiosidade, como histórias de bichos modificados, história das sementes, passeios virtuais pelas cavernas do mundo atrás de conhecer mistérios, até fazer um gol em um goleiro famoso em um estádio com histórias de heroísmo esportivo para contar. Os Contadores de Histórias estarão em alta e ganhando pouco.
A Saúde não é a negação da doença e sim, o contorno ao redor dela. Investimentos em hospitais, depósitos de velho com nome bonito de sênior leaving e em farmácias, é “investimento em doença”. Investir em saúde é construir equipamentos esportivos, academias, turismo, destiladores de adrenalina, gastadores de tempo que evitem fadiga, depressão e ócio não-criativo.
O Saber é um termo genérico para investimento em escolas e o motivo dessa oportunidade é que cada dia mais, mais pessoas querem estudar sem importar a idade ou a condição social. Escolas de tempo parcial para cursos não-formais, tele-postos de educação à distância, viagens de treinamento e eventos motivacionais, serão foguetes de saber para sair da atmosfera com os pés no chão. Esses são investimentos plausíveis, oportunos, não tão caros e de rápido retorno.

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