Vai chover. Cadê a Pista?

Em 2026, 27, 28… haverão enchentes, pois, um dia é o El Niño, outro dia é a La Niña, mais outro é o vórtex cavado sul, ainda tem os ciclone extratropical, as correntes amazônicas, a pressão atmosférica, o vento polar e todos ele fazem chover… e muito.


Nos últimos tempos, quando o planeta deu sinal de cansaço e seu suor está criando emergências (que chamamos indevidamente de climáticas), cada vez mais intensas e cada vez mais frequentes, os desastres tem ocorrido em muitos lugares e seus efeitos se refletem em todas as nuanceis da vida. 


O povo pouco educado porem bem sucedido economicamente, só pensa em dinheiro, não dá crédito a nada que seja científico ou que venha a mexer em seus queijos e vociferam contra as necessidades de se gastar com prevenção.


O povo pouco educado mesmo tendo pouco, quase sempre vai atrás do outro povo pela mesma finalidade: ganhar algo, mesmo sem merecer, mesmo não sendo lícito e também acha que existem prioridades mais altas, como saúde, seguranca e bets. Com isso, ao soar os alarmes, o primeiro pensamento é em cima da economia e não na seguranca e no bem estar. Pouco importa se dezenas de milhares ficarão sem casa para morar, ou sem seus pertences, se crianças ficarão doentes ou traumatizadas. O que não pode é parar a economia. Pouco importa se os ratos invadirão os prédios comerciais, ou se as ondas de moscas vão infestar a multidão desabrigada indefesa das vilas de sub-habitação, ou se os esgotos revirados vão fazer adoecer os velhos que se reusam se vacinar por estupidez e ignorância e o seu destino será fazer as filas nos postos de saúde, Filas daquelas de contornar o quarteirão. O pensamento é a economia, a mobilidade e os negócios, afinal, desde criança se houver todo dia que dinheiro é mais importante que vida. 


Ao soar os alarmes de enchente, vento e cheias, o primeiro pensamento é: “vai parar a economia” e aí o governo se lembra que não escorou os barrancos, não reforçou os cabeçotes das pontes, não desassoreou os córregos, não construiu cisternas, não suspendeu os aterros dos banhados que eram “piscinas” naturais onde os rios guardavam água antigamente, não consertou os diques, não comprou bombas e geradores, deixou o dinheiro rendendo no CDB e ficou nervoso quando alguns de seus membros foram presos por corrupção. 


A catástrofe prevista pelo NOAA para 2029 no Rio Grande do Sul, pode chegar antes e, mesmo se não chegar com a intensidade prevista para aquele ano, nos anos precedentes haverão “ensaios” de como será. E mesmo menos internas, os efeitos das chuvas e dos ventos serão amiúdes e trágicos. Nesse ano não será diferente, maio começou desabrigando milhares, assustando milhões, matando dezenas e setembro promete gemidos e ranger de dentes. 


Caso as precipitações ocorram conforme as previsões veiculadas pela BBC, poderemos ver, alem de milhares de pessoas desabrigadas, casas desmoronando, pontes caindo, estradas obstruídas e quiçá, praças de esportes, shopping center, fabricas, hotéis novamente embaixo d’água e, principalmente, a pista do campo de aviação do bairro São João, boiando. Aí, seria o caos e pose perguntar:


Voltaremos a pousar nossos passarinhos barrigudos em Florianópolis?

  • As pistas de Canela e Torres podem ajudar, mas, não podem resolver.



Cadê a pista alternativa?

  • Não foi dada nem a primeira cavoucada no solo de Vila Oliva e lá vem a chuva de setembro!


O passado é o espelho do futuro? 

  • Ao que parece, aprendemos pouca coisa com a experiência: a única coisa concreta que se está vendo que veio dos escombros das enchentes de 23 e 24, foi a corrupção, quando o tamanho do escândalo é medido pela linha da água: em Lajeado e Estrela se viu a maior cheia e a maior fraude.


E o que têm as vitrines da Pampônia com isso?

  • Quando as enchentes matam pessoas comuns, ou consumidores de renda baixa, se lamenta, mas, nada se corrige, quando a água bate no andar de cima ou molha o salto alto da madame, se esbraveja, as mídias fervem e o dinheiro vem de contêineres. E vai de fininho para o ralo da burocracia, da corrupção e da gestão temerária.
  • Quando as águas cobriram as estações rodoviárias e as gares da ferrovia, pouco se falou e pouco se correu para recuperar, mas, quando os aviões pararam de voar, o alarido foi tamanho que  acordou até as figuras rupestres da Serra da Capivara descobertas pela Doutora Niède Guidon.


E Caxias do Sul com isso?

  • A cidade parou no tempo e caminha para ser parte do “cinturão da ferrugem” curtindo o orgulho e pompa de ter sido a “montanha do aço”. 
  • Não fazer a pista de Vila Oliva, oprime uma economia baseada em uma indústria que pode não ter tanto futuro, enquanto a pista pode ter efeito de uma catapulta, pelas experiências que se viu em outros lugares, como Guarulhos e Vitória, onde o PIB das cidades explodiram, porque o mundo voa. Faz mais de um século que a riqueza deixou de se arrastar pelo chão e aprendeu a voar. 


E Gramado com isso?

  • A hoje “filha mais bonita do fazendeiro”, aquela com quem todo mancebo quer se casar, corre o risco de se tornar a provecta de verruga na testa, que ninguém mais convida para o jantar. E não existem culpados por ela estar sendo comida por dentro, num processo autofágico digno de tragédia grega, com os crimes ambientais sendo visto com a mesma preocupação que se tem com o crime de atravessar a rua fora da faixa.


E Porto Alegre com isso?

  • A capital que inchou com o Êxodo Rural, se desindustrializou porque era bonito e morre de saudade da Varig, alagou com a primeira pancada e acredita que um dique de discurso radical, liberal, conservador e supremacista, vai  proteger o shopping, a praça e a pista das águas de setembro que virão do Jacuí.


E todos nós com isso?

  • O resultado é “cada dia mais pobreza”, na contra-mão do mundo que evolui. Cada dia o estado desce mais dois degraus rumo ao abismo social e o que se ouve são discursos bonitos e ação, nenhuma.
  • Perdemos a casa, o cachorro e a horta do quintal, mas, não abaixamos o nariz nem perdemos a pompa e a circunstância, enquanto nos perdemos a brigar por aumentar a altura do prédio e a largura da calçada. E quanto a chuva? “é melhor não falar nisso, para não dar azar”.


E se chover muito antes de 2029, vamos fazer como?

  • Não veio o dique e a comporta para segurar a água, não veio a draga para tirar a terra que veio de Passo Fundo para subir o piso da ilha, não veio o gabião para escorar o barranco e não veio a ponte decente para conectar as pistas de cada lado dos córregos. E não faltou dinheiro vindo de Asgard. 
  • Não veio a pista, mas, faltou honestidade, coragem e ação.


E agora?

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