Inverno está chegando
Sazonalidades
O Rio Grande do Sul tem dois picos turísticos a cada ano:
No verão mais de 3 milhões de pessoas vão às praias do Pólo representado por 10 cidades ao redor de Capão da Canoa, para se divertir em praias e parques, comer em mais de 50 restaurantes de nível internacional, se hospedar em hotéis de quase todos os níveis, alugam por tempo curto mais de 20 mil dormitórios em casas e apartamentos.
No inverno, mais de 5 milhões de turistas vindos de 24 estados da união e de 12 outros países, se hospedam em mais de 400 meios de hospedagem regulares de nível altíssimo, comem nos melhores restaurantes do mundo e frequentam mais de 100 espaços temáticos nas cidades centradas ao redor dos dois polos turísticos em Bento Gonçalves e Gramado.
A hotelaria destes “Pólos de Frio” terá como concorrente mais acirrado nesse ano, o aluguel de temporada, quando mais de 20 mil leitos estarão disputando espaço na preferência dos turistas em busca de cultura e experiências.
No inverno, o movimento turístico nas praias é economicamente irrelevante, ficando por conta de alguns eventos culturais.
O turismo de sol e mar
O verão oficiosamente está terminando com o festival de Balonismo em Torres e teve movimentação razoável, no período que vai de 15 de dezembro até a Páscoa, atingindo ocupações de 100% em 5 semanas nas principais cidades do Pólo que abrange a costa leste gaúcha, com 90% de “turismo doméstico”, formado por gaúchos vindos de mais de 400 cidades o estado.
Segundo um hoteleiro de Torres, cidade-balneário de lazer de verão com no 42 mil habitantes localizada na costa atlântica no extremo leste do estado do Rio Grande do Sul, “o número de meios de hospedagem regulares tem diminuído, melhorando a ocupação dos remanescentes ao mesmo tempo que cresce o número dos imóveis disponíveis para aluguel de temporada curta, em ritmo tyleriano“.
Para a proprietária de uma locadora de imóveis de temporada curta de Capão da Canoa, “com o aumento da altura dos prédios permitido pelas prefeituras, onde havia um hotel de 30 apartamentos, foram construídos e vendidos 150 apartamentos que servem tanto como moradia como aluguel de temporada”.
Para o professor Christophe Haddad, a hotelaria não está em crise existencial e sim em dilema arquitetônico e o que aconteceu foi a constatação dos hotéis mudarem de formato com o correr do tempo: “caíram os prédios velhos e surgiram os “meios de hospedagem cujas recepções ficam localizadas em uma nuvem, o balcão foi redesenhado em forma de tela de smartphone, o recepcionista tornou-se anfitrião e os quartos estão distribuídos pelos espaços compartilhados e distribuídos geograficamente”.
Muita oferta – pouca estrutura:
Agora, no outono, com o inverno apontando no fim da estrada, as especulações cobre como será o pico de inverno suscita algumas discussões:
Nos pólos da serra gaúcha, Bento e Gramado, o fenômeno “causador” que tem chamado a atenção e provocado alguma celeuma, foi a superoferta dos dois modelos de hospedagem, as regulares, aquelas que existem em forma de empresas, com CNPJ e CADASTUR, somando com as outras em forma de STR (Short-Term Rental), fazendo com que, por mais turistas que cheguem, as taxas de ocupação não acompanham o ritmo das construções.
Para o empresário Celso Fioreze, “o problema não é a falta de turista e sim a oferta excessiva de quartos”. A região dobrou o número de quartos disponíveis na hotelaria em 10 anos, decuplicou o número de moradia vazias disponíveis para aluguel de temporada”, Isso provocou o aumento em mais de metade a população trabalhante (não necessariamente residente) e a infraestrutura de estradas, avenidas, capacidade de deslocamento, serviços públicos e segurança não acompanharam e assim, mesmo que quisessem vir, os turistas não conseguiriam chega na quantidade necessária para um movimento saudável.
O turismo de inverno gaúcho de 2026 terá dois concorrentes de peso: a FIFA e a POLÍTICA.
Desde hoje, só se fala em futebol e candidatos. Nos tempos de delírio futebolístico, USA vai ser campeão, mesmo com Marrocos sendo a melhor seleção”. E na política, as discussões se focam em 10 institutos de pesquisas e em mais de 50 mil candidatos. Todos “favoritos”.
Movimento:
Em Gramado e Bento Gonçalves, o grupo dos grandes hotéis, aquele que tem maior força de vendas, pelas informações colhidas nos principais motores de reservas, as ocupações estarão nos patamares de 65% a 80%, com poucos picos de lotação. Os hotéis isolados, os médios e pequenos, deverão chegar próximo de 60% nas 60 noites dos três meses que caracterizam o “inverno turístico”, que vai de 15 de junho a 15 agosto. Os muito pequenos, como as pousadas familiares, chegarão aos 50%, por serem acessados por clientes em um raio de até 200 km e dependerão muito dos nômades não-digitais, “turistas acidentais”, aqueles que, caso não encontrem bons preços, voltam para casa no começo da noite.

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